Corte Arbitral mantém dívida do Atlético por Lyanco

Foto: Atlético/Reprodução
CAS rejeita recurso do Atlético e mantém obrigação de pagar 1,125 mi de euros ao Southampton pela compra de Lyanco
A Corte Arbitral do Esporte (CAS) publicou, nesta sexta-feira (2/10), uma decisão rejeitando o recurso do Atlético Mineiro contra a condenação pelo não pagamento de uma parcela da contratação do zagueiro Lyanco junto ao Southampton, clube inglês. A decisão, deferida no dia 8 de setembro, mantém a obrigação do clube de pagar 1,125 milhão de euros (cerca de R$ 6,6 milhões) ao time da Inglaterra, acrescidos de juros de 9%. O Galo tem 45 dias para efetuar o pagamento e evitar um transfer ban. Apesar de manter a dívida referente a Lyanco, o CAS acolheu parcialmente um dos pedidos apresentados pelo Atlético e alterou a data utilizada para o cálculo dos juros.
A decisão anterior da Fifa determinava que os juros fossem cobrados a partir de 2 de julho de 2025, mas agora o prazo passa a valer a partir de 18 de agosto. O processo diz respeito à terceira parcela da compra de Lyanco, que venceu em 1º de julho de 2025. O Atlético contratou o defensor em julho de 2024 por 5,2 milhões de euros (cerca de R$ 30 milhões), divididos em cinco parcelas previstas até julho deste ano. O Southampton acionou a Fifa em outubro do ano passado alegando não ter recebido a terceira parcela, no valor de 1,125 milhão de euros. Em novembro, a Fifa deferiu em favor dos ingleses e determinou o pagamento da dívida com juros, além de estabelecer a possibilidade de um transfer ban ao Atlético caso o débito não fosse quitado dentro do prazo.
O Atlético recorreu ao CAS em janeiro deste ano. Entre os argumentos apresentados, o clube afirmou que não havia recebido uma fatura válida e atualizada do Southampton para a terceira parcela e que, por isso, a obrigação de pagamento ainda não teria vencido. O Galo alegou que cada parcela deveria ser acompanhada de uma cobrança específica. O tribunal, no entanto, não aceitou a argumentação. Na decisão, o CAS apontou que o Southampton havia emitido uma fatura em julho de 2024 com todo o cronograma de pagamentos e que o próprio Atlético utilizou o mesmo documento para quitar as duas primeiras parcelas sem qualquer contestação. A decisão também manteve a advertência aplicada pela Fifa.
O tribunal considerou que houve atraso superior a 30 dias sem justificativa válida e destacou que o Atlético já havia cometido outra infração semelhante nos dois anos anteriores. Caso o pagamento não seja realizado dentro do prazo determinado, o clube pode sofrer um transfer ban, sendo proibido de registrar novos jogadores por até três janelas de transferências. A punição é retirada assim que os valores forem quitados. Há ainda uma segunda cobrança do Southampton envolvendo a contratação de Lyanco. Em janeiro deste ano, o clube inglês notificou novamente o Atlético pelo atraso da quarta parcela, também no valor de 1,125 milhão de euros. O caso foi levado à Fifa em março e ainda aguarda decisão.
A dívida pela contratação de Lyanco não é a única envolvendo negociações realizadas pelo Atlético nos últimos anos. O clube também foi condenado pela Fifa em processos relacionados ao zagueiro Bruno Fuchs e ao atacante Brahian Palacios. No caso de Fuchs, o CSKA (RUS) cobra valores referentes ao empréstimo e à compra em definitivo do zagueiro. O Atlético foi condenado a pagar 900 mil euros (cerca de R$ 5,2 milhões), além de juros de 7% ao ano e uma multa de 63,6 mil euros (aproximadamente R$ 373 mil). Já a dívida por Palacios envolve a última parcela da compra do atacante junto ao Atlético Nacional (COL). O valor principal é de US$ 800 mil (cerca de R$ 4,1 milhões). A equipe colombiana pediu ainda uma multa equivalente a 100% da parcela, mas a Câmara de Resolução de Disputas reduziu a penalidade para US$ 400 mil (aproximadamente R$ 2 milhões). Nos dois casos, assim como na disputa envolvendo Lyanco, o Atlético pode sofrer restrições para registrar novos jogadores caso não cumpra com as determinações. A informação das condenações do Atlético na Câmara de Resolução de Disputas da Fifa foi dada inicialmente pelo portal GE e confirmada por O TEMPO Sports.