Lula questiona cortes prometidos no "tesouraço" de Flávio

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula desafia Flávio Bolsonaro a explicar de onde virão os R$ 250 bilhões em cortes prometidos no "tesouraço"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, questionou publicamente de onde virão os cortes prometidos por seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), no chamado "tesouraço". O petista participou de um ato político em Natal, no Rio Grande do Norte, neste sábado (10/10), ao lado do candidato ao governo do estado, Cadu de Lula (PT), e de governadores aliados reeleitos em primeiro turno. Durante o evento, Lula direcionou críticas diretas às promessas econômicas de Flávio Bolsonaro. "Nós precisamos tentar evitar a prevalência da mentira, porque quando meu adversário diz que vai cortar R$ 250 bilhões, que vai ter um tesouraço, é preciso que a sociedade comece a se perguntar de onde vai ser esse corte. Eu não conheço ninguém da elite brasileira que governou esse país que teve coragem de cortar dos ricos, dos banqueiros, dos empresários, do sistema financeiro, dos fazendeiros e dos empresários. Eles sempre cortam dos pobres", afirmou.
Lula relembrou que, ao retornar à Presidência em 2023, encontrou cortes em programas como Farmácia Popular e Minha Casa, Minha Vida, além de desvalorização do salário mínimo e de aposentadorias que não tinham reajuste acima da inflação. "Somente quando nós voltamos, nós colocamos a casa em ordem", declarou o presidente.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro tem sustentado que o "tesouraço" se concentraria na redução da máquina pública, negando qualquer impacto sobre programas sociais. "É mentira que eu acabaria com o Bolsa Família. O Bolsa Família é sagrado, ninguém toca. Ninguém vai tirar o Bolsa Família de você", disse o candidato na quinta-feira (8/10). Além de Cadu de Lula, participaram do ato em Natal os governadores do PT reeleitos em primeiro turno em estados do Nordeste: Jerônimo Rodrigues (Bahia), Rafael Fonteles (Piauí) e Elmano de Freitas (Ceará), além de Lucas Ribeiro, do PP, reeleito para o governo da Paraíba em palanque com Lula. O presidente também fez reflexões sobre o cenário político mais amplo. "Eu estou dizendo à sociedade brasileira que nós estamos vivendo um momento de aferição se o mundo quer viver uma mentira ou se o mundo quer viver uma verdade. Que tipo de educação a gente deseja para o país, que tipo de cultura, de saúde e de emprego a gente deseja para os nossos jovens?", questionou.
Lula destacou ainda o contexto de instabilidade global como pano de fundo para suas políticas econômicas. "Nós temos uma guerra na Rússia que já dura cinco anos e uma guerra no Irã com os Estados Unidos que trouxe um prejuízo extraordinário ao mundo inteiro. Por conta do estreito de Ormuz, você tem aumento de combustível, aumento da gasolina, do diesel", afirmou. Em seguida, ressaltou as medidas adotadas pelo governo brasileiro: "Aqui no Brasil, ao contrário do mundo inteiro, hoje, a gasolina diminuiu porque a gente está utilizando dinheiro do petróleo que a Petrobras exporta. Estamos subsidiando para que o preço da guerra não chegue ao povo brasileiro, não chegue no feijão do povo, no pão, no leite".
Lula dedicou parte do discurso ao Nordeste, região com peso expressivo nas eleições. "Vocês sabem o que era o Nordeste antes do PT ganhar a Presidência. Vocês sabem quantas universidades tinha nesse Nordeste e quantas têm agora", disse. O presidente reforçou que não pretende retirar benefícios da região, mas garantir igualdade de oportunidades. "A ideia é fazer com que o Nordeste brasileiro seja tratado de forma equânime. O Nordeste não vai voltar a ser invisível aos olhos do Brasil", acrescentou.
No mesmo ato, Lula defendeu o fim da escala de trabalho 6x1, que será votada em primeiro turno na próxima quarta-feira (14/10) no plenário do Senado, e fez referência à soberania nacional em contraposição ao adversário. "Enquanto nosso lado beija a bandeira brasileira, ele beija a bandeira americana. Essa é a nossa diferença", declarou, em alusão a Flávio Bolsonaro. O presidente também alertou sobre os riscos de uma eventual vitória da oposição para o Nordeste. "Gringo nenhum vai levar mais nossas riquezas. A riqueza do Brasil é do povo brasileiro. (...) Se a direita ganhar, ela não vai investir no Nordeste. (...) Nenhum negacionista, ninguém que é contra o povo pobre, ninguém que quer fazer tesouraço pode voltar a governar o país", afirmou. Por fim, Lula incentivou os eleitores com mais de 70 anos, que não são obrigados a votar, a comparecerem às urnas no segundo turno, marcado para 25 de outubro. "Se uma pessoa idosa não tem mais motivação para votar, ela tem que ter pelo seu filho, pelo seu neto, pela sua família", frisou.