Lula planeja reuniões com governadores de direita

Presidente Lula em entrevista coletiva após o fim da Cúpula do G7 - © Ricardo Stuckert/PR
Presidente busca pacificação política e pretende dialogar com gestores estaduais, incluindo aliados do adversário derrotado nas eleições
Em busca de pacificação política e de ampliar a governabilidade em seu novo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja convocar reuniões com governadores eleitos e reeleitos, incluindo nomes da direita. A intenção do petista é demonstrar abertura ao diálogo com todos os gestores estaduais, mesmo aqueles que apoiaram seu adversário no segundo turno das eleições. As primeiras reuniões, previstas para ocorrer no Palácio do Planalto, em Brasília, serão realizadas com os governadores alinhados à gestão federal, com foco na discussão de apoios a projetos e programas do governo.
Em seguida, serão convidados nomes de postura mais moderada, como a governadora Raquel Lyra (PSDB-PE) e o senador Cleitinho Azevedo (PSC-MG). Na etapa final da estratégia, Lula pretende convidar ao Planalto os governadores que apoiaram abertamente seu adversário Flavio Bolsonaro (PL), entre eles Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Douglas Ruas (Rio de Janeiro) e Luciano Zucco (Rio Grande do Sul). O objetivo do presidente é também tentar enfraquecer o movimento liderado pelo candidato derrotado de questionar o resultado das eleições nacionais.
Em declarações recentes, Lula tem reforçado que não atuará com revanchismo e que pretende trabalhar em conjunto com governistas e oposicionistas ao longo de seu mandato. O presidente também sinalizou interesse em conversar com candidatos derrotados no primeiro turno, buscando incorporar projetos e propostas ao seu governo. Os nomes de Augusto Cury (Avante-SP), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) são citados no Palácio do Planalto como possíveis interlocutores. O resultado do primeiro turno tem sido interpretado pelo petista como um termômetro para a nova gestão, especialmente pelo entendimento de que a população brasileira não aprovou integralmente o terceiro mandato. Diante disso, Lula demonstra disposição para promover mudanças que melhorem a avaliação do governo, que deve encerrar o ano ainda em patamar baixo.