Lula é reeleito após virada histórica no segundo turno contra Flávio Bolsonaro

Foto: Ricardo Stuckert
Petista reverte vantagem do adversário, que terminou o primeiro turno à frente, após três semanas de campanha marcada por mobilização nas ruas, disputa digital e troca de acusações
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), após protagonizar uma virada inédita na história das eleições presidenciais brasileiras desde a redemocratização. Com 98,27% das urnas apuradas, o petista registrava 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O resultado reverteu a vantagem obtida pelo candidato do PL no primeiro turno, quando Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A disputa foi marcada pelo equilíbrio nas pesquisas de intenção de voto e por uma campanha intensa, com ataques mútuos, mobilização de apoiadores e maior presença dos candidatos nas redes sociais.
A vitória representa um marco na trajetória política de Lula, que conseguiu recuperar terreno ao longo dos 21 dias de campanha do segundo turno e conquistar votos suficientes para retornar ao Palácio do Planalto.
Mobilização digital e atos de rua impulsionaram campanha
Após o resultado do primeiro turno, a campanha petista reformulou sua estratégia para ampliar a mobilização eleitoral. Lula intensificou a presença nas redes sociais, enquanto aliados passaram a atuar de forma mais incisiva na divulgação de conteúdos favoráveis ao presidente e de críticas ao adversário.
Um dos principais instrumentos dessa mobilização foi o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A iniciativa reuniu milhões de seguidores e se tornou uma das principais ferramentas da campanha digital petista, embora também tenha sido alvo de questionamentos na Justiça Eleitoral.
A campanha contou ainda com a participação de lideranças políticas e representantes mais jovens, que ajudaram a ampliar o alcance das mensagens nas plataformas digitais. No campo presencial, atos em grandes cidades também contribuíram para manter a mobilização dos apoiadores.
Do lado de Flávio Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) impulsionou o movimento “Bloquinho 22”, que promoveu manifestações em diferentes cidades para fortalecer a candidatura do senador e consolidar a vantagem conquistada no primeiro turno.
Debates tiveram estratégias diferentes
Os dois debates presidenciais realizados no segundo turno apresentaram diferenças de tom e estratégia. O primeiro, promovido pela Band, foi marcado por ataques diretos e confrontos pessoais. Já o último, transmitido pela TV Globo na sexta-feira (23), teve maior espaço para propostas e comparações entre os governos, em uma tentativa de conquistar eleitores indecisos.
Na discussão final, Lula destacou sua trajetória política e os resultados de suas gestões, enquanto Flávio concentrou parte de seus argumentos no custo de vida, no endividamento das famílias e na segurança pública.
Apesar da tentativa de apresentar propostas, os dois candidatos também trocaram acusações relacionadas a corrupção, patrimônio e episódios envolvendo seus grupos políticos.
As pesquisas de intenção de voto indicaram uma disputa apertada durante boa parte do segundo turno, com frequentes situações de empate técnico e vantagem numérica alternada entre os candidatos.
Congresso de maioria conservadora será desafio para Lula
Apesar da vitória presidencial, Lula terá de enfrentar um cenário legislativo desfavorável a partir de 2027. O avanço dos partidos de direita nas eleições para o Congresso Nacional fortaleceu a oposição e pode dificultar a aprovação de propostas do governo, especialmente aquelas que exigem mudanças constitucionais.
No Senado, o PL terá a maior bancada partidária, com 28 das 81 cadeiras. Considerando os parlamentares identificados com a direita, o campo conservador deverá reunir pelo menos 49 senadores.
Na Câmara dos Deputados, o PL contará com 121 das 513 vagas, o equivalente a aproximadamente 23,6% da Casa. O fortalecimento da direita e sua influência sobre partidos do centro podem exigir maior capacidade de negociação do Executivo para formar maiorias.
Durante a campanha, Lula minimizou as dificuldades e lembrou que conseguiu aprovar medidas importantes em mandatos anteriores mesmo sem uma maioria própria no Congresso. O presidente citou, entre os exemplos, a reforma tributária e defendeu a construção de alianças com diferentes partidos para garantir governabilidade.
A composição do Legislativo, porém, será um dos principais desafios do novo mandato, diante da necessidade de negociar apoio para projetos econômicos e sociais e de administrar uma oposição fortalecida nas urnas.