Lula avalia ir ao Senado após votação da PEC pelo fim da escala 6x1

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula pode comparecer ao Senado após votação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 e redução da jornada semanal de trabalho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia comparecer ao Senado Federal nesta quarta-feira (14), após a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. A possibilidade é discutida por integrantes de sua campanha, que acompanham as negociações para a aprovação da medida. A proposta é considerada uma das principais bandeiras defendidas por Lula durante a campanha eleitoral e está prevista para ser analisada pelo plenário do Senado. A eventual presença do presidente dependerá do resultado da votação e do andamento das articulações políticas. Inicialmente, Lula considerava cumprir compromissos eleitorais em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Entretanto, a expectativa de votação da PEC levou à manutenção de sua agenda em Brasília. A possibilidade de comparecimento ao Senado está condicionada à aprovação da proposta nos dois turnos, cenário que depende de um acordo para acelerar os procedimentos regimentais. A votação foi marcada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após negociações envolvendo lideranças partidárias e representantes do governo federal. Para ser aprovada, a PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores em cada um dos dois turnos de votação.
O Senado conclui nesta quarta-feira a etapa de discussões necessária para a análise inicial do texto. A expectativa do governo é apresentar um requerimento de calendário especial para reduzir o intervalo regimental entre as duas votações. Caso o requerimento seja aprovado, os senadores poderão analisar a proposta em primeiro e segundo turnos no mesmo dia. Sem esse procedimento, a votação definitiva poderá ocorrer em outra data, conforme as exigências regimentais. A discussão sobre o fim da escala 6×1 também ganhou destaque na disputa presidencial.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na corrida ao Palácio do Planalto, anunciou na terça-feira (13) que votará favoravelmente à proposta, apesar de ressalvas sobre seus impactos econômicos. Flávio tem compromissos previstos em Porto Alegre durante a tarde desta quarta-feira, período em que o Senado deverá analisar a matéria. A sessão será realizada em formato semipresencial, permitindo que parlamentares participem das votações remotamente. A PEC 221/2019 propõe alterações nas regras constitucionais relacionadas à jornada de trabalho. O texto estabelece a redução gradual do limite semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.
A proposta também prevê um período de transição para permitir a adaptação das empresas às novas regras. Pelo cronograma previsto, a jornada semanal seria inicialmente reduzida para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas. Defensores da mudança argumentam que a redução da jornada poderá ampliar o tempo de descanso e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Por outro lado, representantes de setores empresariais manifestam preocupação com possíveis aumentos de custos operacionais e dificuldades de adaptação, especialmente em atividades que funcionam durante toda a semana. A análise da PEC acontece durante o segundo turno das eleições presidenciais, ampliando a repercussão política da proposta. Lula tem defendido a redução da jornada como parte de sua agenda trabalhista, enquanto Flávio Bolsonaro passou a declarar apoio à mudança, mantendo questionamentos sobre seus efeitos econômicos. A eventual participação de Lula no Senado após a votação poderá marcar mais uma etapa da mobilização política em torno do tema. Apesar das expectativas do governo, a aprovação ainda depende da manifestação dos senadores e do cumprimento das etapas regimentais. Até a conclusão dessas votações, as regras atuais de jornada de trabalho permanecem em vigor.