Lavrov diz que Rússia quer retomar laços com o ocidente

Foto: Wikimedia Commons
Lavrov afirma que Moscou está pronta para restabelecer relações com países que ajam de boa-fé, em meio a sinais de reaproximação com Washington
O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, afirmou que a Rússia está disposta a restabelecer relações com países que demonstrem boa-fé e interesse em retomar a cooperação. A declaração ocorre em meio a sinais de reaproximação entre Moscou e Washington, apesar das divergências sobre a guerra na Ucrânia e das sanções ocidentais impostas contra os russos. "Estamos prontos para restabelecer as relações com aqueles que agem de boa-fé", disse Lavrov durante um encontro com recém-formados que ingressaram no serviço diplomático russo.
O chanceler lembrou que o presidente Vladimir Putin já havia defendido a retomada dos contatos internacionais após o início da guerra contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022. Lavrov também criticou o rompimento dos laços energéticos com a Europa e citou a decisão alemã de não restaurar os gasodutos Nord Stream. Ao comparar a posição russa à do chanceler alemão, Friedrich Merz, o ministro foi direto: "Não seremos tão idiotas". O Kremlin condiciona a normalização das relações ao reconhecimento dos interesses nacionais e das preocupações de segurança russas, além de criticar as sanções impostas por governos ocidentais.
No campo diplomático mais amplo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira (19/10) estar disposto a participar de uma reunião com Putin e o presidente chinês, Xi Jinping, para discutir o desarmamento nuclear. "Faríamos isso para falar sobre armas nucleares e desnuclearização", declarou o republicano, acrescentando que participaria caso Xi concordasse. O Kremlin confirmou que a possibilidade do encontro foi discutida diplomaticamente, mas ainda não há acordo sobre a realização da reunião nem sobre sua pauta. A cúpula poderia ocorrer em novembro, à margem do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em Shenzhen, na China. A possibilidade de uma reunião sem a participação da Ucrânia provocou críticas de Kiev.
O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, avaliou que conversas entre os três líderes, sem representantes ucranianos, poderiam incentivar Putin a prolongar a guerra. Os contatos diplomáticos ocorrem enquanto Trump revê medidas de pressão econômica contra a Rússia. Na sexta-feira (16/10), o presidente suspendeu um pacote de sanções aprovado pelo Congresso norte-americano e sancionado por ele no mês anterior. Trump também retomou negociações com Putin sobre a possibilidade de liberar diesel russo, em meio à alta dos combustíveis nos Estados Unidos, atribuindo parte da elevação dos preços aos ataques ucranianos contra refinarias russas. Na semana passada, Trump anunciou um cessar-fogo relacionado às instalações energéticas. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou Moscou de desrespeitar o entendimento e retomar os ataques, evidenciando a fragilidade dos acordos em curso entre as partes envolvidas no conflito.