TSE nega pedido de Lula para retirar vídeo de Flávio sobre gastos com viagens

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Ministro do TSE nega pedido da campanha de Lula para remover vídeo em que Flávio Bolsonaro cita R$ 7 bi em viagens com Janja
O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou o pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para remover das redes sociais um vídeo em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirma que o petista gastou R$ 7 bilhões em viagens com a primeira-dama, Janja da Silva.
A decisão é liminar e ainda será submetida ao plenário da Corte eleitoral.
A defesa de Lula argumentou que o valor de R$ 7 bilhões corresponde às despesas com viagens a serviço de todo o Executivo federal entre 2023 e 2025, e não apenas às do presidente e da primeira-dama. A campanha também apresentou checagens de agências de verificação para contestar o conteúdo do vídeo.
Na gravação publicada nas redes sociais, Flávio Bolsonaro rebate uma declaração do petista sobre uma proposta de cortar R$ 250 bilhões em despesas públicas. Ao afirmar que não mexeria em recursos de aposentadorias, do Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou do Bolsa Família, o senador disse que poderia começar pelos gastos do presidente com viagens internacionais.
"Eu vou manter todos esses programas. Agora Lula, vamos lá. Eu poderia falar aqui dos 7 bilhões de reais que você já gastou de passeios internacionais só com a Janja, podia cortar daí. Só que eu vou cortar muito mais do que isso", declarou o senador candidato à Presidência na publicação.
Para Kassio Nunes Marques, não há, nesta fase do processo, falsidade evidente que justifique a retirada imediata do vídeo. O ministro afirmou que o montante citado por Flávio Bolsonaro tem origem em dados oficiais sobre gastos do Executivo, e que a controvérsia se refere ao que classificou como uma "disputa de interpretação" no debate eleitoral.
"Desse modo, a controvérsia reside no alcance atribuído a dado verdadeiro, e não na existência do fato. Nessa vereda, a divergência sobre o alcance de fato efetivamente ocorrido situa-se no plano da interpretação, configurando disputa hermenêutica própria do embate eleitoral, e não falsidade perceptível de plano", escreveu o presidente do TSE.
Além disso, Kassio Nunes Marques rejeitou, por ora, os demais argumentos da campanha petista. O ministro considerou que as declarações de Flávio Bolsonaro sobre a manutenção de aposentadorias e programas sociais se enquadram como promessas de campanha, sem configurar irregularidade eleitoral passível de intervenção imediata da Corte.