Nobel de Medicina vai para pesquisa sobre optogenética

Karl Deisseroth e os alemães Peter Hegemann e Georg Nagel são premiados por pesquisas sobre canais de íon fotossensíveis e optogenética
O americano Karl Deisseroth, 54 anos, e os alemães Peter Hegemann, 71, e Georg Nagel, 73, foram os vencedores do Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina de 2026. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (5) pela Fundação do Prêmio Nobel, em Estocolmo, na Suécia, em reconhecimento às pesquisas do trio sobre a descoberta de canais de íon fotossensíveis, trabalho que contribuiu diretamente para o desenvolvimento da optogenética. A cerimônia de entrega das láureas está agendada para 10 de dezembro, data que marca o aniversário da morte do químico sueco Alfred Nobel (1833-1896).
Os premiados receberão um diploma produzido por um artista sueco ou norueguês, uma medalha de ouro e um prêmio em dinheiro de 11 milhões de coroas suecas, valor equivalente a R$ 5,73 milhões na cotação atual. Em 2025, o mesmo prêmio havia sido concedido ao trio formado por Mary Brunkow, Fred Ramsdell e Shimon Sakaguchi, reconhecidos por seus trabalhos sobre a chamada tolerância imunológica periférica, um dos processos pelos quais o organismo consegue distinguir entre ameaças externas e seus próprios componentes. Com a premiação desta segunda-feira (5), já foram distribuídos 117 prêmios Nobel na categoria Fisiologia ou Medicina desde 1901. A láurea não foi concedida em apenas nove ocasiões: de 1915 a 1918, em 1921, em 1925 e de 1940 a 1942.
Até hoje, nenhuma pessoa recebeu o prêmio nessa categoria mais de uma vez. A pessoa mais jovem a receber o Nobel de Fisiologia ou Medicina foi o canadense Frederick G. Banting (1891-1941), que tinha 31 anos em 1923 quando dividiu a láurea com o escocês John James Rickard Macleod (1876-1935) pela descoberta da insulina. No outro extremo, o americano Peyton Rous (1879-1970) foi o mais velho a conquistar o prêmio: em 1966, aos 87 anos, foi laureado pela descoberta de vírus que induzem ao desenvolvimento de tumores. Naquele mesmo ano, o canadense Charles B. Huggins (1901-1997) também recebeu a distinção por suas descobertas relacionadas ao tratamento hormonal do câncer de próstata. No recorte de gênero, os dados até 2025 revelam uma disparidade significativa: dos 232 indivíduos que já receberam a láurea, apenas 14 eram mulheres, o equivalente a 6%.
A geneticista Barbara McClintock, premiada em 1983, é a única mulher a ter recebido o Nobel de Fisiologia ou Medicina de forma individual. Todas as outras 13 laureadas dividiram o prêmio com outros pesquisadores. As parcerias de longa data são comuns na área de biologia e medicina, e isso se reflete entre os laureados. A colaboração mais duradoura entre vencedores é a dos médicos e geneticistas Michael Brown e Joseph L. Goldstein, que trabalham juntos há 54 anos — desde 1972 — e receberam o prêmio em 1985 por descobertas envolvendo o controle do colesterol. Logo atrás, o casal Carl Ferdinand Cori (1896-1984) e Gerty Theresa Cori (1896-1957) manteve uma parceria de 34 anos e foi laureado em 1947 pela descoberta do curso da conversão catalítica do glicogênio. O agora ex-casal de neurocientistas noruegueses Edward Moser e May-Britt Moser também protagonizou uma parceria científica de quase 30 anos, conquistando a láurea em 2014 ao lado do americano John O"Keefe. Os três foram premiados pela descoberta das células que formam um "GPS" do cérebro, conhecidas como células de grade.