Morte de secretário em ação policial: PMs afastados e família presta depoimento

© Jefferson Dias da Silva/Instagram
Secretário de Queimados morto durante perseguição policial na Avenida Brasil é sepultado em Nova Iguaçu; cinco PMs foram afastados
O corpo do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Queimados, Jefferson Dias da Silva, de 51 anos, foi sepultado às 16h30 desta terça-feira (20), no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Conhecido como Jefferson da Linave, o ex-vereador morreu na noite de segunda-feira (19), após ser baleado durante uma perseguição policial na Avenida Brasil, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Cinco agentes envolvidos na ação foram afastados das ruas.
O velório teve início às 15h e reuniu familiares, amigos e colegas de trabalho, que lotaram o cemitério. A mulher de Jefferson Dias da Silva, Cíntia Belchior, a filha, Maria Rita, o pai e os irmãos estavam muito abalados e optaram por não falar com a imprensa.
Um amigo próximo do secretário, Sergio Ricardo Silveira, lamentou a perda e recordou o início da trajetória política de Jefferson Dias da Silva na cidade. "Queimados perde um ser humano sensacional, um superpolítico. Eu fui uma das primeiras pessoas a caminhar com ele, logo que ele chegou à cidade. Para a gente, é uma perda irreparável para a nossa cidade", disse.
Silveira acrescentou: "Ninguém espera que um rapaz tão jovem, com um futuro tão brilhante pela frente, morra dessa forma, desse jeito trágico".
Prefeito cobra investigação
O prefeito de Queimados, Glauco Kaizer (União Brasil), compareceu ao cemitério e exigiu uma investigação clara, eficiente e rápida. Ele descreveu Jefferson Dias da Silva como um homem tranquilo e um bom servidor público.
"A gente precisa que seja apurado com muito rigor o procedimento que foi adotado na condução e abordagem que foi feita com o Jefferson", afirmou o prefeito.
Kaizer também questionou a quantidade de disparos efetuados durante a ação policial. "O Jefferson é o cara mais tranquilo que eu conheci na minha vida, que estava dentro de um carro, sob a alegação de que ele furou um bloqueio, mas que não teve nenhuma atitude contundente contra nenhum agente público que justificasse tanto tiro que foi dado", declarou.
Imagens mostram a perseguição
Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento em que o carro de Jefferson Dias da Silva foi interceptado pela Polícia Militar. O veículo perdeu o controle e rodou na pista, mas o secretário tentou retomar a fuga.
Mais à frente, na altura da Penha, o carro foi alcançado novamente e policiais efetuaram disparos contra o veículo.
A Delegacia de Homicídios realizou perícia no local e ouviu os agentes envolvidos. As armas foram recolhidas para análise, entre elas pelo menos três fuzis. Os investigadores também analisam as imagens das câmeras corporais dos policiais militares.
O que disseram os policiais
Em depoimento, os agentes relataram que receberam informações via rádio sobre um carro que trafegava em alta velocidade, com uma das rodas aparentemente em chamas.
Segundo os PMs, a equipe tentou abordar o motorista e ordenou que ele desligasse o motor e desembarcasse do veículo, mas a ordem não teria sido obedecida. Os policiais afirmaram que, naquele momento, ouviram disparos.
Um dos agentes disse ter atirado contra uma roda traseira do veículo, que continuou pela Avenida Brasil. De acordo com os depoimentos, o carro passou por dois pontos de bloqueio.
Perto da comunidade Nova Holanda, os agentes relataram ter ouvido novos tiros e afirmaram que também atiraram. Na região da Passarela 14, uma viatura interceptou o veículo, que rodou e bateu contra a mureta de proteção.
Os PMs declararam que Jefferson Dias da Silva tentou manobrar em marcha a ré para continuar a fuga, o que motivou novos disparos contra os pneus. Um dos agentes afirmou ter efetuado sete disparos com um fuzil calibre 7,62 mm diante do que descreveu como uma "percepção de perigo iminente".
Mulher prestou depoimento
A mulher do secretário, Cíntia Belchior, também foi ouvida pela polícia. Ela relatou que Jefferson Dias da Silva havia consumido bebida alcoólica durante a tarde e que, antes da ocorrência, ele a telefonou dizendo que algumas pessoas estariam brigando com ele.
Em nota, o governo do estado afirmou que a gravidade do episódio exige uma apuração "rigorosa, célere e transparente" e que acompanhará de perto a investigação.
A Polícia Militar declarou lamentar a morte de Jefferson Dias da Silva e informou que está colaborando com as investigações da Delegacia de Homicídios. A PM acrescentou que a Corregedoria instaurou um procedimento para apurar a conduta dos policiais envolvidos na ocorrência.
Jefferson Dias da Silva era filiado ao Democracia Cristã e foi eleito vereador de Queimados três vezes. Além da atuação política, atuava como empresário nos setores imobiliário e de transportes.