Hipertensão atinge quase 30% dos jovens no Brasil

© Marcelo Camargo/Agência Brasil
Pesquisa da SBC revela que hipertensão afeta 28,3% de crianças e adolescentes, com obesidade e sedentarismo como principais fatores de risco
A hipertensão arterial atinge 28,3% das crianças e adolescentes de até 18 anos no Brasil, enquanto a pré-hipertensão alcança 11,6% dos indivíduos nessa faixa etária. Os dados são da pesquisa Brasil Coração Saudável, conduzida pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), e revelam um cenário preocupante para a saúde cardiovascular dos jovens brasileiros. A hipertensão é mais frequente nos meninos de 15 a 18 anos, atingindo 40,7% desse grupo, e nos meninos de menos de 7 anos, com 39,1% de prevalência.
A pesquisa analisou 6.092 crianças e adolescentes de 38 escolas em três estados brasileiros, entre 3 de junho e 7 de outubro de 2026:
- **Minas Gerais** foi o estado com maior participação, reunindo 2.973 crianças e adolescentes pesquisados.
- **Rio Grande do Sul** contou com 3.059 participantes, sendo o estado com o maior número de jovens analisados.
- **São Paulo** contribuiu com 60 participantes no levantamento.
O cardiologista Álvaro Avezum, membro da SBC e coordenador do projeto Coração Saudável, aponta que a redução da prática de atividade física, combinada a uma alimentação inadequada e a hábitos de vida que favorecem o aumento do estresse, contribui diretamente para a elevação do risco cardiovascular, incluindo o desenvolvimento de obesidade e hipertensão. "Esses fatores, quando combinados, podem comprometer a saúde cardiovascular e aumentar a incidência de doenças cardiovasculares", alerta o especialista.
A pesquisa também revela que uma em cada três crianças e adolescentes analisados apresenta excesso de peso: 19,5% com sobrepeso e 13,6% com obesidade. O sobrepeso é mais prevalente nas meninas de 11 a 14 anos, chegando a 24,0%, enquanto a obesidade é maior nos meninos de 7 a 10 anos, com 17,1%. Entre os jovens com obesidade, quase metade apresenta hipertensão, com índice de 48,4%.
Essa proporção cresce conforme o peso aumenta, atingindo 60,5% nos jovens obesos de 15 a 18 anos. O uso excessivo de telas também aparece como fator de risco. Segundo o levantamento, 59% dos jovens ficam mais de três horas por dia em frente a telas, e 66% praticam apenas de uma a duas horas de atividade física por semana. Do total, 93% realizam exercícios apenas no ambiente escolar.
O celular é o dispositivo mais utilizado, presente na rotina de 86% dos participantes, seguido pela televisão, com 80%. Geralmente silenciosa e assintomática, a hipertensão pode desencadear consequências graves à saúde. Entre os riscos associados estão o infarto agudo do miocárdio, a angina, a insuficiência cardíaca — decorrente do esforço excessivo do coração para bombear sangue — e arritmias como a fibrilação atrial. A condição também pode favorecer o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e promover o endurecimento, a perda de elasticidade e o estreitamento dos vasos sanguíneos, podendo gerar aneurismas. Os dados da pesquisa Brasil Coração Saudável reforçam a necessidade de atenção à saúde cardiovascular desde a infância, com destaque para a promoção de hábitos saudáveis, a prática regular de atividade física e o controle do peso corporal como medidas preventivas fundamentais.