Juiz de Fora realiza transfusão de sangue raro Js(a+b-)

Doação de sangué Hemominas | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Coordenadora do Hemocentro de Juiz de Fora destaca parceria nacional que viabilizou transfusão de tipo sanguíneo raro para paciente transplantado
Após uma transfusão de sangue bem-sucedida de um tipo raro na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, a cooperação entre hemocentros regionais de todo o país foi destacada como fundamental pela coordenação local do Hemocentro Regional de Juiz de Fora. O procedimento ocorreu na última sexta-feira (09) e envolveu uma mobilização nacional para salvar o paciente. O paciente é Jorge Roberto dos Santos, natural de Vassouras (RJ), que havia passado por um transplante renal na Santa Casa em fevereiro de 2025. Durante uma internação recente, a equipe médica identificou a necessidade de uma transfusão, mas encontrou dificuldades para localizar sangue compatível.
O motivo é que Jorge possui o fenótipo raro Js(a+b−), e apenas seis doadores em todo o Brasil são compatíveis com ele. Segundo a coordenadora do Hemocentro de Juiz de Fora, Andréa Nicolato, o doador compatível foi encontrado no Ceará, e o sangue percorreu mais de 2.000 quilômetros entre transporte aéreo e terrestre, em uma viagem de aproximadamente 10 horas até chegar ao destino. "Foi feita uma força tarefa para conseguir doador para ele. O Hemocentro de Ceará conseguiu, dentro dos dados, um doador compatível, que foi convocado para doar. Esse sangue raro veio de Fortaleza. Uma equipe da Fundação Hemominas já estava na Santa Casa para receber essa bolsa dentro dos critérios e normas técnicas vigentes", afirmou Andréa Nicolato. De acordo com informações repassadas pelo Hemominas, Jorge reagiu bem à transfusão e aguarda a chegada de mais duas bolsas de sangue.
A coordenadora aproveitou o caso para reforçar a importância da doação de sangue e do cadastramento de doadores. "Isso é uma prova da importância da união dos hemocentros, ter esses dados cadastrados e a população doar. Quanto mais doadores aparecerem, mais vamos conseguir identificar essas pessoas", destacou. Além dos sistemas ABO — que classificam os tipos A, B, AB e O — e Rh, existem dezenas de outros sistemas sanguíneos, com centenas de antígenos que variam entre as pessoas. Neste caso específico, a ausência do antígeno Jsb e a presença de um anticorpo contra essa estrutura tornam ainda mais complexa a busca por sangue compatível. A identificação dessas características depende de exames laboratoriais específicos, que precisam ser analisados por serviços de referência especializados. O caso evidencia a importância da integração entre os hemocentros brasileiros e reforça o apelo para que mais pessoas se cadastrem como doadores de sangue, ampliando as possibilidades de atendimento a pacientes com fenótipos raros em todo o país.