Palestinos são agredidos por colonos israelenses na Cisjordânia

Foto: Reprodução
Fotojornalista do Washington Post foi derrubada e chutada por colonos israelenses durante ataque a palestinos em Abu Falah
Dezenas de colonos israelenses armados e com rostos encobertos atacaram moradores palestinos durante a colheita de azeitonas na vila de Abu Falah, na Cisjordânia, na última sexta-feira. O incidente deixou pelo menos duas pessoas feridas, entre elas a fotojornalista Heidi Levine, do Washington Post, que foi derrubada ao chão e chutada pelos agressores. Cerca de 80 colonos desceram de uma colina em direção a um olival onde moradores locais haviam se reunido para a colheita anual, uma tradição de grande importância na vida palestina.
Alguns dos colonos carregavam botijões de gás e outros usavam fundas para arremessar pedras contra os palestinos, que recuaram em direção à base da colina e reagiram com pedras para se defender. "Os colonos querem nos atacar e nos expulsar de nossas casas", disse Moutaz Abdelhadi, agricultor de 42 anos que testemunhou o ataque em Abu Falah. No meio da confusão, pelo menos dois jipes militares israelenses cruzaram a área em alta velocidade, levantando poeira enquanto os moradores corriam para se afastar. O ataque prosseguiu mesmo após a chegada das tropas, com soldados israelenses disparando gás lacrimogêneo na direção dos palestinos. O som de tiros reais foi ouvido na região, e um fotógrafo da Reuters registrou ao menos um colono armado efetuando disparos.
Em comunicado, as forças militares israelenses informaram que soldados e policiais de fronteira realizaram tiros de advertência após se posicionarem na área e que, em determinado momento, também efetuaram disparos na direção de uma pessoa que, segundo as tropas, representava uma ameaça. "Tentativas de incitar atritos entre populações comprometem a segurança na região", afirmaram as Forças Armadas. "Ataques e atos de violência contra civis inocentes são graves e inaceitáveis."
Médicos palestinos confirmaram que duas pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas a hospitais na região de Ramallah. Uma delas era Heidi Levine, fotojornalista do Washington Post. Um vídeo do ataque mostrava Levine deitada de lado em uma trilha de terra, com as mãos sobre o rosto, enquanto pelo menos três colonos a cercavam. Falando mais tarde de uma cama de hospital, em estado estável, Levine relatou o ocorrido: "Fui atacada, empurrada ao chão. Felizmente, eu estava usando meu colete à prova de balas e meu capacete; caso contrário, provavelmente nem estaria aqui, porque eles não paravam de me chutar, sem parar."
Segundo Levine, o ataque só terminou quando seus colegas palestinos intervieram. Em seguida, paramédicos a transportaram em uma ambulância até uma clínica em Abu Falah e, posteriormente, para um hospital em Ramallah. Sua voz tremia ao falar e ela apresentava curativos na mão esquerda. O Washington Post não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.