Flávio Bolsonaro rejeita resultado eleitoral e pede anulação

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Flávio Bolsonaro nega derrota para Lula no segundo turno e anuncia pedido de anulação das eleições presidenciais de 2026
O candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), declarou que não reconhecerá o resultado das eleições após perder para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. Com 99,99% das urnas apuradas, Lula obteve 51,78% dos votos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de mais de quatro milhões de votos. O resultado foi reconhecido pelos presidentes do STF, Edson Fachin, do TSE, Nunes Marques, do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Flávio Bolsonaro centrou suas críticas na decisão do ministro do STF Cristiano Zanin, que prorrogou o horário de votação em todo o país por duas horas. O candidato, no entanto, não mencionou que a própria campanha do PL havia solicitado a extensão do horário em cinco estados: Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. — O ministro Zanin atropelou a Justiça especializada prorrogando as eleições por duas horas. Houve uma quebra total de isonomia entre brasileiros de diversos estados. Tem muita coisa que precisa ser feita antes de reconhecer esta sacanagem que ocorreu agora — disse Flávio Bolsonaro. Além de recusar o resultado, Flávio Bolsonaro anunciou que tomará medidas formais para contestar o pleito: — É inexplicável o que aconteceu.
Nas palavras de alguns ministros, as eleições deveriam ter sido anuladas. Nós vamos usar o nosso direito, vamos pedir a anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo seja mudada no meio do jogo, mais uma vez pelos amigos do Lula. Flávio Bolsonaro acompanhou a apuração na casa que serviu de comitê de campanha, em Brasília. O imóvel pertence ao advogado Vicente Santini, eleito suplente no Senado por São Paulo na chapa de Guilherme Derrite. Entre os presentes estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN).
O dia havia começado com clima de festa no comitê. Aliados comemoravam durante a apuração, especialmente quando Flávio Bolsonaro ultrapassou Lula com cerca de 12% das urnas apuradas, às 19h46. No local, apoiadores faziam churrasco e ouviam jingles da campanha. À medida que Lula retomou a liderança, porém, os gritos e as músicas foram desaparecendo do ambiente. Segundo pessoas que acompanhavam a movimentação, a mudança de clima foi imediata após a virada. Flávio Bolsonaro se retirou para uma sala reservada acompanhado de integrantes da equipe política, senadores eleitos e advogados. O grupo permaneceu reunido até por volta das 21h15, enquanto os demais convidados continuavam acompanhando a apuração no telão. Ainda antes do pronunciamento de Flávio Bolsonaro, aliados do candidato do PL já haviam criticado a decisão do ministro Zanin, que determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h em todo o país após relatos de dificuldades no transporte público. Entre os críticos estavam o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ).