Flávio Bolsonaro pressiona queda nos DIs

Percepção de que Flávio Bolsonaro lidera corrida eleitoral derruba taxas dos DIs e alivia curva longa de juros no Brasil
As taxas dos DIs fecharam em baixa na terça-feira, impulsionadas pela percepção do mercado financeiro de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) segue à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto. O movimento acompanhou o exterior, onde os rendimentos dos Treasuries de longo prazo também recuaram. No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,775%, com queda de 11 pontos-base em relação ao ajuste de 12,889% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 registrou recuo de 13 pontos-base, saindo de 12,902% para 12,77%. Profissionais ouvidos pela Reuters apontaram o cenário eleitoral como principal fator para a queda das taxas.
Ainda que as pesquisas mais recentes indiquem uma disputa acirrada, Flávio Bolsonaro mantém vantagem numérica nas intenções de voto sobre Lula. Além disso, circula no mercado a avaliação de que o debate do último domingo na Band não foi negativo para Flávio Bolsonaro e que a diferença entre os dois candidatos nas intenções de voto pode ter parado de diminuir. Essa percepção retirava prêmios principalmente do trecho longo da curva, segmento mais sensível à questão fiscal. Às 12h30, a taxa do DI para janeiro de 2035 chegou à mínima intradia de 12,600%, representando uma queda de 30 pontos-base.
Grande parte dos agentes do mercado avalia que, com Flávio Bolsonaro no Planalto, cresceriam as chances de um maior controle das contas públicas — mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste fiscal. Na contramão dessa expectativa, Flávio Bolsonaro prometeu nesta terça-feira restabelecer o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) caso vença a eleição, afirmando que a medida valerá para as áreas de eventos, shows e turismo.
O programa foi criado originalmente durante a pandemia de Covid-19 para socorrer o setor e teve elevado custo fiscal, com empresas de diferentes segmentos conseguindo acessar o benefício, que se prolongou muito além do período emergencial. No exterior, os rendimentos dos Treasuries de dez e 30 anos cederam, assim como o petróleo Brent, em uma sessão marcada por volatilidade um pouco maior. Às 16h35, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — caía 2 pontos-base, a 5,117%, enquanto o retorno do título de 30 anos recuava 5 pontos-base, a 5,425%. O cenário eleitoral segue como principal balizador dos movimentos da curva de juros no Brasil, com o mercado monitorando de perto cada oscilação nas pesquisas e nos debates entre Flávio Bolsonaro e Lula.