Disputa eleitoral mantém DIs em alta

Foto: José Cruz/Agência Brasil
Disputa eleitoral entre Flávio Bolsonaro e Lula mantém investidores cautelosos enquanto taxas dos DIs sobem nesta quinta-feira
As taxas dos DIs operavam em alta na manhã desta quinta-feira, com a curva de juros no Brasil reagindo novamente ao cenário eleitoral. A disputa acirrada entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Palácio do Planalto mantinha os investidores em estado de cautela, à espera de nova pesquisa do Datafolha, programada para o início da noite. Às 10h09, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 12,86%, em alta de 9 pontos-base ante o ajuste de 12,775% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,785%, com elevação de 4 pontos-base ante 12,743%.
Nas pesquisas eleitorais mais recentes, Flávio Bolsonaro segue à frente de Lula nas intenções de voto, mas a diferença entre os dois vem diminuindo. Na quarta-feira, a Quaest indicou uma diferença de apenas 1 ponto percentual nas intenções de voto, com os dois candidatos empatados tecnicamente. Além disso, a rejeição de Flávio Bolsonaro é 5 pontos percentuais maior do que a de Lula. Um operador ouvido pela Reuters citou a queda da rejeição de Lula — que na véspera já havia dado suporte às taxas — como um dos fatores para a alta da curva nesta quinta-feira.
A leitura predominante entre os agentes de mercado é de que, com Flávio Bolsonaro no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas, mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste fiscal. No campo eleitoral, após Lula decidir abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico e desafiar Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo, o senador colocou uma série de condições para isso. Flávio Bolsonaro exigiu que Lula também levantasse os sigilos telefônicos e telemáticos de assessores, auxiliares e seguranças, incluindo seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Em resposta, a campanha de Lula aceitou as condições.
No exterior, o cenário da manhã era de maior aversão ao risco, com os principais índices de ações em queda na Europa, o petróleo Brent subindo para perto dos US$ 112 o barril e o dólar em alta ante boa parte das demais divisas. A demanda por títulos norte-americanos colocava os rendimentos dos Treasuries em baixa. Às 10h07, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — caía 11 pontos-base, a 5,034%. Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI às 10h08 desta quinta-feira: - JAN/27: Taxa 13,499% | Ajuste anterior 13,482% | Variação +0,017 p.p. - JAN/28: Taxa 12,86% | Ajuste anterior 12,775% | Variação +0,085 p.p. - JAN/29: Taxa 12,655% | Ajuste anterior 12,565% | Variação +0,090 p.p. - JAN/30: Taxa 12,67% | Ajuste anterior 12,582% | Variação +0,088 p.p. - JAN/31: Taxa 12,68% | Ajuste anterior 12,603% | Variação +0,077 p.p. - JAN/35: Taxa 12,785% | Ajuste anterior 12,743% | Variação +0,042 p.p. O mercado de DIs segue atento ao desenrolar do cenário eleitoral, com a nova pesquisa do Datafolha sendo aguardada como principal termômetro para os movimentos da curva de juros nas próximas sessões.