Flávio Bolsonaro deve ser mais moderado em debate na Globo

Flávio Bolsonaro e Lula se encontram pela primeira vez para um debate nestas eleições de 2026. • Reprodução TV Band
Aliados orientam Flávio Bolsonaro a adotar postura menos agressiva no debate da TV Globo, marcado para esta sexta-feira (23)
O senador Flávio Bolsonaro (PL) recebe orientações de aliados para adotar uma postura mais contida no debate da TV Globo, marcado para a próxima sexta-feira (23). A estratégia é evitar um comportamento agressivo que possa aumentar sua rejeição entre eleitores indecisos ou desagradar aqueles que já declararam voto nele, mas ainda sem total convicção. À CNN, aliados mais comedidos afirmam que Flávio Bolsonaro precisa ser "menos Pablo Marçal" e não pode "perder a linha" no último confronto antes da votação. O empresário, que disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024, passou a ser ouvido como conselheiro na campanha presidencial do senador. A avaliação é que, a dois dias de os brasileiros irem às urnas, o risco de ampliar a rejeição é alto demais para ser ignorado. O conselho predominante entre os aliados é que cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que saiu atrás no primeiro turno, adotar uma postura mais agressiva na tentativa de enfraquecer o adversário. Há também o receio de que Flávio Bolsonaro transmita uma imagem de arrogância ou passe a impressão de que já considera a eleição vencida.
A orientação ganhou força após o primeiro confronto direto entre os candidatos, realizado no último domingo, na Band. Flávio Bolsonaro iniciou o embate com um gesto de cordialidade ao cumprimentar Lula, mas, ao longo do programa, adotou um tom de ataque e deboche que desagradou aliados. Na ocasião, Lula avaliou o nível do debate como "muito baixo". Segundo análises qualitativas citadas por integrantes da campanha, a postura incomodou eleitores que esperavam ver a versão de um Bolsonaro moderado, apresentada ao longo da disputa. A preocupação também é alimentada pela estratégia da campanha petista, que tem explorado o comportamento de Flávio Bolsonaro para questionar sua postura como candidato à Presidência.
Em contraponto, Lula busca se apresentar como um político experiente e preparado para exercer o cargo. Para o debate da Globo, a orientação é que Flávio Bolsonaro adote uma postura mais propositiva, rebata as acusações de que pretende cortar programas sociais como o Bolsa Família, e volte a insistir no discurso de mudança, apresentando propostas para o custo de vida da população e a segurança pública. Isso não significa, porém, abandonar os ataques a Lula.
O senador deve continuar explorando denúncias envolvendo o filho do presidente, conhecido como Lulinha, e resgatar escândalos de corrupção de governos petistas, como o mensalão e a Lava Jato. Flávio Bolsonaro também é aconselhado a se preparar para cobranças sobre a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, tema que Lula transformou em uma das principais armas contra o adversário nesta reta final. Na noite desta terça-feira (20), o presidente condicionou sua participação no debate da Globo à apresentação de uma autorização de Flávio para a liberação dos próprios sigilos e dos de seus familiares. "E se ele [Flávio Bolsonaro] apresentar um documento autorizando quebrar o sigilo, vai ter debate, porque senão ele não pode ir no debate. Porque um presidente da República não pode debater com ladrão, esse é o dado concreto", disse Lula durante caminhada entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), ao lado de apoiadores. Com o debate da Globo se aproximando, a campanha de Flávio Bolsonaro tenta calibrar o tom do senador para evitar erros que possam comprometer sua vantagem nas pesquisas e garantir uma boa performance no confronto decisivo antes do segundo turno.