Lula tenta recuperar 112 municípios de Minas que deram vantagem a Flávio

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Flávio Bolsonaro supera Lula em 112 municípios de Minas em relação a 2022, com destaque para Sul, Triângulo Mineiro e Zona da Mata
Com o desafio de reverter um resultado inédito no 2º turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta uma equação difícil em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. No estado, que historicamente define a disputa pelo Palácio do Planalto, o petista perdeu para o senador Flávio Bolsonaro (PL) o domínio nas urnas de 112 cidades em comparação ao resultado de 2022, quando Lula enfrentou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Enquanto Lula registrou queda no número de municípios em que venceu há quatro anos, Flávio Bolsonaro ampliou as bases eleitorais da família e melhorou o desempenho em Minas Gerais neste ano. O avanço foi mais expressivo entre o eleitorado do Sul de Minas, do Triângulo Mineiro e da Zona da Mata. Em 2022, Lula havia vencido em 564 municípios, contra 289 de Jair Bolsonaro. Neste ano, porém, Lula saiu vitorioso em 452 cidades, enquanto Flávio Bolsonaro contabilizou vitória em 401 municípios, de acordo com registros do TSE. As informações são do TSE.
No consolidado geral, o senador largou na frente em Minas com uma diferença de mais de 587 mil votos. O petista perdeu 21 cidades no Sul, 18 no Triângulo Mineiro e 16 na Zona da Mata — as três regiões mais representativas na queda lulista em relação a 2022. Também houve mudança de cenário, com predomínio de Flávio Bolsonaro, em municípios do Campo das Vertentes, regiões Central mineira, Centro-Oeste, Noroeste, Norte, Leste, Metropolitana de Belo Horizonte e Vale do Jequitinhonha. No Triângulo Mineiro, em 2022 Lula venceu em Monte Carmelo com 51,14% dos votos no 2º turno, mas viu Flávio Bolsonaro reverter o resultado do pai e chegar aos 50,12% dos votos neste ano.
No Sul de Minas, em Três Pontas, o petista saiu dos 50,04% há quatro anos e viu Flávio Bolsonaro vencer no dia 4 de outubro com 46,22%. Cenário semelhante foi observado em Ubá, na Zona da Mata, onde Lula foi derrotado pelo senador, que somou 47,54% dos votos. Há quatro anos, o presidente havia marcado 49,90%. Os números revelam a dimensão do desafio que o petista terá no próximo domingo. Na campanha de Lula, há uma grande aposta na recuperação do eleitorado mineiro no 2º turno para viabilizar a reeleição do atual presidente. O petista verbalizou essa expectativa durante agenda em Belo Horizonte na quarta-feira: "Mais uma vez eu saio daqui com a certeza de que Minas Gerais me dará a vitória outra vez", afirmou o presidente.
Desde o início da segunda etapa da campanha, o petista visitou três cidades mineiras: Juiz de Fora, Ipatinga e a própria capital. Dos três endereços, Flávio Bolsonaro venceu em dois, sendo Juiz de Fora o único dos dez maiores colégios eleitorais do estado em que Lula saiu vitorioso. Em Belo Horizonte, cidade que recebeu o maior esforço da campanha petista, com quatro agendas, o senador abriu uma distância de quase 100 mil votos ao final do primeiro turno. Flávio Bolsonaro, por sua vez, esteve em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, cidade que Lula venceu em 2022, e cumpriu agenda no sábado em BH. Na empreitada em Minas, Flávio Bolsonaro tem como um dos principais articuladores o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que tem reiterado que no 2º turno a campanha busca ampliar a votação do senador no estado, além de ganhar mais espaço no Nordeste. O palanque de Flávio Bolsonaro também foi reforçado com a entrada do governador eleito do estado, Cleitinho Azevedo (Republicanos), na estratégia de busca de votos.