Governo Trump dá autorização para Flávio e família ficarem nos EUA por um ano

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Flávio Bolsonaro e família receberam "Discretionary Parole" do governo Trump, com validade até outubro de 2027, após chegada a Miami
O senador Flávio Bolsonaro (PL) e sua família receberam do governo Trump uma autorização condicional para permanecer nos Estados Unidos por até um ano. A permissão, na categoria "Discretionary Parole" (DT), foi concedida após a chegada da família a Miami e tem vencimento previsto para outubro de 2027. A autorização é destinada a casos específicos, incluindo urgência humanitária. De acordo com os registros disponíveis no site da CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA), Flávio Bolsonaro, sua esposa e ao menos uma de suas filhas receberam a autorização na categoria "DT" ao passar pelos trâmites burocráticos na chegada a Miami. A categoria "DT" corresponde à sigla de "Discretionary Parole", uma autorização temporária condicional concedida pelo DHS (Departamento de Segurança Interna dos EUA) com base em uma avaliação caso a caso.
A "parole" é uma permissão oficial para entrar e permanecer temporariamente no país, mas não configura visto ou uma admissão formal pelo sistema de imigração dos Estados Unidos. Segundo a legislação americana, o governo tem autoridade discricionária para autorizar a entrada de pessoas por razões humanitárias urgentes ou por benefício público relevante para o país.
Entre os critérios avaliados pelo DHS para conceder ou negar a autorização estão:
- **Avaliação do caráter do solicitante**, incluindo histórico criminal, violação de imigração ou participação em fraudes.
- **Impacto da permanência** sobre a comunidade americana.
- **Possível impacto na segurança nacional** dos EUA.
- **Existência de suporte financeiro** para o beneficiário.
O DHS não define claramente o que configura uma "razão humanitária urgente", mas avalia se as condições apresentadas pelo solicitante são iminentes, se afetam o bem-estar do indivíduo e o grau de sofrimento causado caso o pedido de autorização seja negado. Os registros das autoridades americanas indicam que Flávio Bolsonaro utilizou tanto seu passaporte diplomático quanto seu passaporte pessoal ao entrar nos EUA. A PF (Polícia Federal) havia cancelado ambos os documentos após descumprimento de decisão do STF para entregá-los, segundo apuração do analista de Segurança Pública da CNN Brasil, Elijonas Maia.
A CNN Brasil entrou em contato com a CBP, o DHS e o Departamento de Estado dos EUA para esclarecer a autorização humanitária concedida, mas ainda não houve retorno. Na terça-feira (27), uma autoridade do Departamento de Estado americano já havia confirmado à CNN que o governo Trump emitiria vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitiria a entrada nos Estados Unidos. Antes de chegar a Miami, Flávio Bolsonaro e a família passaram pela Argentina e pelo Equador. Segundo apuração da correspondente da CNN Brasil, Luciana Taddeo, o senador entrou em território argentino utilizando seu passaporte italiano. Uma fonte policial afirmou sob condição de anonimato à CNN Brasil que o documento utilizado pelo senador para entrar no país pela cidade argentina de Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu, foi o passaporte italiano.
A esposa dele, Fernanda, e uma das filhas utilizaram passaportes brasileiros, enquanto outra das filhas usou RG. Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio Bolsonaro cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones, por volta de 22h50, acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das filhas. O órgão afirma que os quatro apresentaram documentação de viagem válida, sem nenhum impedimento legal para a entrada no país, e que não houve incidentes. Às 23h30, a comitiva embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A., com destino informado no plano de voo para Guayaquil. Do Equador, seguiram para Miami na mesma aeronave, um jato de luxo modelo Gulfstream G400.