Flávio Bolsonaro aciona TSE contra suposta rede de fake news de Lula

Fachada do TSE | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Flávio Bolsonaro protocola ação no TSE acusando campanha de Lula de disseminar fake news no Instagram com 11,6 mi de visualizações
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusando a campanha adversária de disseminar notícias falsas em massa nas redes sociais. A ação de investigação judicial eleitoral foi protocolada na noite de quinta-feira (8) e aponta a existência de uma rede coordenada de perfis no Instagram supostamente vinculada à campanha de reeleição de Lula. A petição, com 196 páginas, foi encaminhada à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral.
A defesa de Flávio Bolsonaro classifica a estratégia adversária como uma "campanha do medo", composta por publicações que associam um eventual governo do senador a medidas impopulares e retrocessos sociais. Entre os conteúdos questionados estão afirmações de que Flávio Bolsonaro pretende privatizar o Sistema Único de Saúde (SUS), acabar com o Bolsa Família, extinguir o décimo terceiro salário, reduzir benefícios do Farmácia Popular e congelar aposentadorias. A ação também cita publicações sobre uma suposta jornada de trabalho de 16 horas por dia, uma escala "7x0" e a possibilidade de implantação de uma ditadura.
Segundo o levantamento apresentado pela equipe do candidato, os advogados analisaram 2.856 publicações feitas por 146 perfis entre os dias 5 e 7 de outubro. Desse total, 218 publicações foram apontadas como problemáticas: 24 classificadas como falsas e 194 consideradas descontextualizadas ou sem confirmação. O material teria alcançado 11,6 milhões de visualizações e 2,5 milhões de interações em aproximadamente 62 horas. Os números ainda não representam uma conclusão da Justiça Eleitoral sobre a existência de irregularidades. Entre os pedidos constantes na ação estão a suspensão de 32 perfis, a remoção de 221 publicações e o bloqueio de publicações colaborativas envolvendo 48 contas apontadas como centrais na rede.
A defesa também solicita a identificação dos responsáveis por perfis anônimos e a aplicação de multas em caso de descumprimento de eventuais ordens judiciais, podendo chegar a 50 mil reais por publicação. Um dos pontos centrais da acusação é o uso da ferramenta de publicação colaborativa do Instagram, conhecida como collab. O recurso permite que diferentes perfis compartilhem a autoria de uma postagem, ampliando o alcance do conteúdo entre seus públicos. Para a defesa de Flávio Bolsonaro, a ferramenta teria sido utilizada de forma coordenada para multiplicar a circulação de informações falsas ou descontextualizadas. A ação ainda pede a cassação da chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. A campanha de Lula, por sua vez, afirmou que ainda não foi notificada sobre a ação e que, por isso, não tem condições de responder às acusações.