Erika Hilton pede suspensão de canal "Tropa do Flávio"

Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados
Deputada aciona o TSE contra canal bolsonarista no WhatsApp e acusa tratamento desigual da Justiça Eleitoral
A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou um pedido no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) solicitando a suspensão do canal "Tropa do Flávio", no WhatsApp, por ausência de registro na Justiça Eleitoral. No mesmo dia em que o pedido foi apresentado, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) cadastrou o canal como meio oficial de propaganda eleitoral. No documento protocolado, Erika Hilton fez uma comparação direta entre o canal bolsonarista e o "Exército do Lula". "Estou acionando o TSE e pedindo a derrubada do canal "Tropa do Flávio" no WhatsApp pelo mesmo motivo que [o presidente do TSE] Kassio Nunes Marques mandou bloquear o canal Exército do Lula: falta de registro no TSE", escreveu a deputada em publicação no X.
Ela acusou a Justiça Eleitoral de aplicar tratamento desigual às campanhas, apontou censura a apoiadores do presidente Lula e afirmou que o canal pró-Flávio propaga desinformação com fins eleitorais. Erika Hilton também afirmou que o canal "Tropa do Flávio" é gerenciado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). "Assim como o canal "Tropa do Flávio", o "Exército do Lula" é um canal de APOIADORES, não um canal oficial. O canal de apoio ao [senador] Flávio [Bolsonaro - PL] é gerido por Nikolas Ferreira (PL-MG) e o de Lula (PT) por André Janones", escreveu a parlamentar. A assessoria de Nikolas Ferreira foi questionada, mas não se pronunciou sobre o assunto. A deputada ainda detalhou as razões pelas quais considera o canal de Flávio Bolsonaro mais grave do que o "Exército do Lula".
Segundo ela, o canal chegou a publicar imagens falsas de uma jovem usando drogas em manifestação e uma imagem gerada por inteligência artificial com conteúdo racista, retratando uma mulher negra limpando paredes na Avenida Paulista. "As regras têm que valer para todos. E precisa ficar claro: quem está desrespeitando-as é o canal de Flávio Bolsonaro, e ele precisa pagar por isso. E é obrigação do TSE cobrar", afirmou Erika Hilton.
O canal "Exército do Lula", criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) no início do mês, já havia sido alvo de pedido de suspensão pela campanha de Flávio Bolsonaro na semana anterior, sob alegação de propagação de desinformação. O corregedor-geral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, pediu informações complementares antes de analisar o caso. No entanto, o presidente do TSE, Nunes Marques, ordenou a suspensão do canal no domingo (11). No mesmo dia, o corregedor-geral restabeleceu o canal após pedido da campanha de Lula. Na segunda-feira, Nunes Marques voltou a determinar a suspensão do "Exército do Lula" por 48 horas, fixando condições para a reativação, entre elas a comunicação do endereço do canal à Justiça Eleitoral. O registro foi protocolado pela equipe jurídica da campanha petista horas depois, e o canal foi restabelecido. Janones, por sua vez, nega ter publicado desinformação no canal. Um relatório técnico do TSE não localizou as mensagens falsas citadas na ação do PL, indicando que a exclusão prévia de publicações pelo administrador pode ter comprometido a análise. O próprio Janones confirmou ter apagado cerca de 500 publicações do canal.