Minas Gerais se prepara para impactos de El Niño muito forte

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Defesa Civil de Minas Gerais monitora El Niño, que pode ser um dos mais intensos desde 1950, trazendo secas, incêndios e chuvas extremas
Minas Gerais se prepara para os possíveis impactos climáticos do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A ocorrência altera a circulação atmosférica em escala global, modificando o regime de chuvas e as temperaturas habituais.
No estado, o cenário pode provocar efeitos distintos de acordo com a região. Entre os principais riscos estão períodos de seca, aumento dos incêndios florestais, problemas respiratórios associados à baixa umidade e à fumaça, além de chuvas intensas, enxurradas e inundações.
A expectativa é de que o fenômeno atinja intensidade muito forte no trimestre formado por outubro, novembro e dezembro de 2026, período que abrange a primavera e o início do verão. A previsão também indica que o El Niño deve persistir até o primeiro trimestre de 2027. Caso o cenário se confirme, o episódio poderá estar entre os eventos mais intensos registrados desde 1950.
A dimensão territorial de Minas Gerais faz com que os efeitos climáticos não sejam uniformes. Enquanto determinadas áreas podem enfrentar condições mais secas, com aumento do risco de incêndios florestais e impactos sobre a qualidade do ar, outras regiões podem registrar volumes elevados de chuva em períodos curtos, favorecendo ocorrências de enxurradas e inundações.
As condições climáticas também podem provocar impactos na agricultura e na pecuária, além de aumentar a demanda por medidas preventivas nas áreas de saúde, meio ambiente e defesa civil. A preparação envolve ações integradas entre diferentes setores públicos, com capacitações e treinamentos voltados para profissionais das áreas que podem ser afetadas pelos eventos climáticos extremos.
O El Niño é considerado um dos fenômenos climáticos de maior influência sobre o clima global. Sua principal característica é o aquecimento anormal e sustentado das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, quando as temperaturas dessa faixa oceânica permanecem pelo menos 0,5 °C acima da média histórica.
O aumento da temperatura do oceano transfere grandes volumes de calor para a atmosfera e provoca alterações na circulação atmosférica, desencadeando mudanças nos padrões meteorológicos de diferentes partes do planeta.
Em condições normais, os ventos alísios sopram de leste para oeste e empurram as águas quentes em direção ao oeste do Pacífico, próximo à Oceania. Durante o El Niño, esses ventos enfraquecem ou mudam de direção, permitindo que a água aquecida se desloque e se acumule em áreas próximas à costa da América do Sul.
Essa alteração modifica a circulação atmosférica global e interfere nos padrões de chuva e temperatura. No Brasil, os efeitos variam significativamente entre as regiões, justamente pela grande extensão territorial do país. Em Minas Gerais, essa diferença pode resultar tanto em períodos de estiagem e maior risco de incêndios quanto em episódios de chuva intensa, dependendo da área afetada e da evolução do fenômeno.