CNI corta projeção do PIB de 2026 para 1,6%

Imagem ilustrativa: Renda | PIB | Dinheiro | Juros | Investimento - Foto : Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A CNI reduziu de 2% para 1,6% a projeção de crescimento do PIB em 2026, com juros altos pressionando indústria e serviços
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu sua projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026, de 2% para 1,6%. A revisão para baixo reflete perspectivas menos favoráveis para a indústria e os serviços, ambos pressionados pelo cenário de juros elevados no país. A indústria de transformação é o setor que lidera as perdas, com projeção de queda de 0,7% em 2026. O segmento enfrenta retração da demanda interna, juros altos, aumento de custos e forte entrada de produtos importados no mercado nacional. O PIB do setor de serviços também teve sua estimativa de crescimento reduzida, passando de 1,9% para 1,6%. O volume do setor segue praticamente estável desde o ano passado, com desaceleração no comércio varejista puxando o resultado para baixo. A agropecuária foi o único setor produtivo com revisão positiva, com a projeção saltando de 1,8% para 2,5%.
A alta na segunda safra de milho impulsionou o desempenho do setor, enquanto a indústria extrativa deve crescer 9,1%. Já a indústria da construção manteve a expectativa de expansão em 1,5% no ano, sustentada pelos investimentos em infraestrutura e pela expansão do programa Minha Casa, Minha Vida. A Selic elevada é apontada pela CNI como o principal fator de pressão sobre as atividades voltadas ao mercado interno. "Quem está mais dependente do mercado interno está sendo muito afetado por conta da taxa de juros", afirma Mario Sergio Telles, diretor da CNI, em comunicado.
A entidade prevê dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic até o fim de 2026, o que levaria a taxa básica de juros a fechar o ano em 13,25%, representando juros reais de 9%. A próxima decisão do Copom sobre juros está prevista para a próxima quarta-feira (4). No campo da inflação, a CNI estima que o IPCA alcance 5,15% ao fim do ano, impulsionado por alimentos, serviços e preços administrados, o que justifica um ritmo mais lento de redução dos juros. O mercado de trabalho, por outro lado, segue aquecido, com previsão de desemprego em 5% no encerramento do ano. O menor número de trabalhadores disponíveis deve elevar a massa salarial em 4,6% em termos reais. No campo fiscal, a dívida pública deve subir de 78,6% para 83,7% do PIB em um ano.
A CNI prevê déficit primário real de R$ 54,6 bilhões, equivalente a 0,4% do PIB, mas exceções fiscais garantem superávit oficial de R$ 12,6 bilhões. Nas contas externas, o superávit da balança comercial deve crescer quase 30% e chegar a US$ 77,3 bilhões, com exportações totalizando US$ 386,7 bilhões, puxadas pela alta nos preços das commodities e pelo desempenho da indústria extrativa. A revisão da CNI para 2026 reflete um cenário de desafios estruturais para a economia brasileira, com juros elevados pressionando os setores mais dependentes do mercado interno, enquanto o agronegócio e as exportações de commodities sustentam parte do crescimento projetado.