Bulgária convoca embaixadora russa após ataque

Fonte: Wikimedia Commons
Navio ucraniano foi atingido por três drones na costa da Bulgária; todos os 15 tripulantes foram resgatados com segurança no porto de Varna
Um navio de propriedade ucraniana foi atacado por drones na costa da Bulgária na madrugada desta terça-feira (13/10). A embarcação navegava sob bandeira maltesa quando foi atingida nas imediações das águas territoriais búlgaras. Embora a Rússia não tenha reivindicado o ataque, o governo búlgaro convocou a embaixadora russa no país para prestar esclarecimentos, um gesto considerado um ato formal de reprimenda nas relações internacionais. A embaixada russa na Bulgária é coordenada por Eleonora Valentinovna, que ocupa o posto desde 2021.
O primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, foi direto ao justificar a convocação: "O mais recente ataque a um navio comercial nas imediações das águas territoriais da Bulgária é absolutamente inaceitável […] Não temos provas claras e conclusivas para atribuir responsabilidade a qualquer um dos lados. No entanto, como já afirmei, a lógica sugere que o resultado beneficia a Federação Russa. Portanto, convocarei a embaixadora russa para uma reunião hoje". Segundo Radev, o navio Chelsea 3 foi atingido no convés e na lateral por três drones. "Todos os 15 tripulantes — sete ucranianos e oito azerbaijanos — foram transportados em segurança para o porto de Varna", informou o premiê búlgaro. Dos resgatados, cinco pessoas estão recebendo assistência médica.
O governo da Bulgária comunicou o ocorrido à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e à União Europeia. As autoridades búlgaras mantêm uma investigação em andamento sobre o ataque, com o objetivo de determinar o país de origem dos drones utilizados. O episódio ocorre em um momento de deterioração nas relações entre a Rússia e os países europeus, impulsionada pelo prolongamento da guerra na Ucrânia e por uma série de incidentes envolvendo segurança e infraestrutura no continente. Nas últimas semanas, nações europeias registraram ocorrências com drones, interferências e suspeitas de atividades de sabotagem em aeroportos e no espaço aéreo de países como Alemanha, Lituânia e Polônia, além de incidentes no mar Báltico. Diante desse cenário, países do leste europeu têm reforçado medidas de vigilância e defesa aérea, enquanto integrantes da Otan discutem a capacidade de resposta militar do continente frente às crescentes ameaças.