Rússia testa míssil balístico intercontinental com capacidade nuclear

Lançamento de um míssil balístico pela Marinha da Rússia - Foto: Ministério da Defesa da Rússia via CSIS
A Rússia lançou o míssil balístico intercontinental Bulava a partir de um submarino no mar de Okhotsk, em exercício de treinamento militar
A Rússia anunciou, na quarta-feira (28/10), o teste de um míssil balístico intercontinental com capacidade de transportar ogivas nucleares.
O lançamento foi realizado a partir de um submarino nuclear submerso no mar de Okhotsk, no extremo leste do país, e teve como destino uma área de testes na região de Arkhangelsk, no norte da Rússia.
Segundo o Ministério da Defesa russo, o exercício foi conduzido pela tripulação do submarino estratégico Generalissimus Suvorov, integrante da Frota do Pacífico.
O armamento utilizado foi o Bulava, míssil balístico lançado por submarinos e considerado um dos pilares da capacidade de dissuasão nuclear de Moscou.
As autoridades militares russas divulgaram imagens do lançamento. De acordo com o ministério, as ogivas do Bulava chegaram à área prevista para o teste dentro do horário programado. A informação foi apresentada pelo governo russo e não foi verificada de forma independente.
O Bulava, também identificado como R-30 ou RSM-56, foi desenvolvido para equipar submarinos nucleares estratégicos russos. O sistema tem alcance intercontinental e foi projetado para transportar ogivas nucleares, embora o teste divulgado não indique que uma carga nuclear tenha sido utilizada.
O submarino Generalissimus Suvorov pertence à classe Borei-A, uma geração de embarcações estratégicas da Marinha russa. Incorporado à frota em dezembro de 2022, o navio tem capacidade para transportar até 16 mísseis Bulava.
O lançamento faz parte dos exercícios de treinamento militar anunciados por Moscou. Testes desse tipo permitem às Forças Armadas avaliar os sistemas de lançamento e demonstrar a capacidade operacional de seus armamentos estratégicos.
O teste ocorre em um cenário de tensões entre a Rússia e países ocidentais, especialmente em razão da guerra na Ucrânia e das disputas relacionadas à segurança europeia.
Os mísseis balísticos intercontinentais integram a estrutura de dissuasão nuclear, estratégia baseada na capacidade de responder a um eventual ataque com poder destrutivo elevado. A realização de testes como o do Bulava também pode ter repercussão política e militar, por sinalizar a manutenção das capacidades estratégicas de um país.
Embora o lançamento tenha sido anunciado como parte do treinamento militar russo, a divulgação de imagens e informações sobre o armamento reforça a atenção internacional às capacidades nucleares de Moscou.