Beatriz Vitória tem velório curto em MG; dois suspeitos são presos

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga as circunstâncias do desaparecimento de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos • Redes Sociais
Família de Beatriz Vitória terá apenas meia hora para se despedir; dois suspeitos foram presos e crime é investigado como feminicídio
A família de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, encontrada morta em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, terá apenas 30 minutos para se despedir da jovem nesta sexta-feira (23/10). O velório e o sepultamento estão previstos para ocorrer entre 17h e 17h30, no Cemitério Municipal de Jaboticatubas. Segundo Marcus Torres, advogado que representa a família, o tempo reduzido de despedida se deve às condições em que o corpo foi encontrado. Beatriz Vitória estava em avançado estado de decomposição e, de acordo com a defesa, há suspeita de que soda cáustica tenha sido utilizada após o crime. O estado do corpo impossibilitou os procedimentos de conservação e preparação para o velório, limitando a cerimônia a apenas meia hora.
O corpo de Beatriz Vitória foi localizado enterrado em uma cova rasa na zona rural de Jaboticatubas na última quarta-feira (21/10), quase duas semanas após o desaparecimento da jovem. Na mesma data, dois suspeitos foram presos: Samuel Castro Melo, de 18 anos, e a atual namorada dele, Carla Luíza da Silva, de 23 anos. O crime é investigado como feminicídio.
- **9 de outubro:** Beatriz Vitória estava em um bar com amigos em Jaboticatubas quando um veículo parou nas proximidades. Segundo o boletim de ocorrência, ela se aproximou para conversar com os ocupantes e avisou aos amigos que retornaria em cinco a dez minutos. A jovem, porém, não voltou. A mãe tentou entrar em contato por ligações e mensagens, sem sucesso, e registrou o desaparecimento.
- **12 de outubro:** A Polícia Civil passou a investigar o desaparecimento e divulgou informações sobre o caso. A principal referência para a apuração era o fato de Beatriz Vitória ter sido vista pela última vez ao se aproximar de um carro enquanto estava com amigos.
- **21 de outubro:** Após quase duas semanas de buscas, investigadores localizaram um corpo enterrado em área rural de Jaboticatubas. Uma perita identificou uma tatuagem na perna da vítima, cuja fotografia foi enviada ao irmão da jovem, que confirmou a identidade. A Polícia Civil anunciou oficialmente que o corpo era de Beatriz Vitória. No mesmo dia, Samuel e Carla foram presos como suspeitos de envolvimento no crime, e os celulares dos dois foram apreendidos para análise.
- **22 de outubro:** Em coletiva de imprensa, o delegado Alexandre Fonseca afirmou que a principal linha de investigação aponta para um feminicídio motivado por ciúmes ou desavença entre Beatriz Vitória e a atual namorada do ex-companheiro. A polícia informou que a vítima estava com as mãos amarradas para trás e que o corpo foi ocultado após o assassinato. A existência de uma cova preparada previamente levou os investigadores a apontar indícios de premeditação. A investigação também envolve uma adolescente de 15 anos, que levou a polícia até o local onde o corpo foi encontrado.
Embora ela seja tratada como testemunha neste momento, a apreensão do celular indica que sua versão ainda será investigada. Mensagens encontradas nos aparelhos dos dois adultos presos indicam que eles planejavam fazer uma tatuagem conjunta em referência à morte de Beatriz Vitória. Durante os depoimentos, Carla reservou-se o direito de permanecer em silêncio. Samuel admitiu que estava no carro que buscou Beatriz Vitória, mas atribuiu à adolescente de 15 anos a responsabilidade pelo planejamento e pela execução do crime.
A Polícia Civil contesta essa versão e afirma que os elementos reunidos até agora indicam possível participação dos três. A possibilidade de que Beatriz Vitória estivesse grávida foi levantada por familiares da vítima. O irmão dela, Maxwell Mota, contou que a suspeita surgiu a partir de informações compartilhadas pela irmã mais nova. "Não dá para afirmar se ela estava grávida. A mãe também suspeitava, e a irmã mais velha também suspeitava, mas a gente não tem como confirmar", disse Maxwell à imprensa na quinta-feira (22/10). O delegado Alexandre Fonseca afirmou que os exames do Instituto Médico Legal (IML) poderão esclarecer a questão. "Com relação à gravidez, o IML tem condições de também dar essa resposta. Nós estamos aguardando", declarou. Maxwell Mota também relatou ter recebido ameaças do pai de uma das suspeitas e disse que pretende divulgar áudios relacionados ao episódio. Ele elogiou o trabalho da Polícia Civil e afirmou que acompanhava as investigações desde o início. "A gente quer justiça e esperamos justiça", declarou o irmão de Beatriz Vitória. A investigação segue em andamento. A conclusão dos exames periciais, a análise dos celulares e o aprofundamento dos depoimentos devem ajudar a esclarecer os pontos que permanecem em aberto no caso.



