Justiça nega habeas corpus e suspeita de matar Beatriz Vitória segue presa

Samuel Castro Melo, de 18 anos e Carla Luíza da Silva, 23, suspeitos pela morte de Beatriz Vitória - Foto: Imagens obtidas por O TEMPO
Desembargador nega habeas corpus de Carla Luiza da Silva, investigada pela morte de Beatriz Vitória em Jaboticatubas, na Grande BH
A Justiça de Minas Gerais negou o pedido de soltura imediata de Carla Luiza da Silva, presa preventivamente por suspeita de envolvimento na morte de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A decisão foi do desembargador Guilherme de Azeredo Passos, relator do habeas corpus apresentado pela defesa de Carla, que negou o pedido liminar, embora o caso ainda deva ser analisado em definitivo pela Justiça.
Carla e Samuel Castro Melo são investigados por feminicídio e ocultação de cadáver. Beatriz Vitória estava desaparecida desde 9 de outubro, e seu corpo foi encontrado enterrado em uma área de mata no Loteamento Terra dos Portugueses, na zona rural de Jaboticatubas.
Segundo o boletim de ocorrência, a jovem desapareceu após sair de um bar no bairro Bosque dos Coqueiros e entrar em um carro. Antes de partir, ela disse aos amigos que voltaria em poucos minutos e, segundo a irmã, demonstrou nervosismo após receber uma ligação.
Beatriz Vitória chegou a retornar ao estabelecimento e contou que estava com medo porque havia uma mulher desconhecida no veículo. Depois, saiu novamente e não foi mais vista.
A alegação da defesa de Carla
No habeas corpus, a defesa de Carla argumentou que a decisão que converteu a prisão em flagrante em preventiva não teria apresentado, de forma individualizada, elementos que justificassem a manutenção dela presa.
A defesa também afirmou que a investigação ainda está em andamento e que não há provas suficientes para apontar Carla como autora do crime. Além disso, destacou que ela é ré primária, possui residência fixa e vínculo formal de trabalho, sugerindo que medidas cautelares alternativas à prisão seriam suficientes.
Outro ponto levantado pela defesa foi a alegação de que Carla teria sofrido coação física e moral durante a atuação policial, em suposta tentativa de obter uma confissão.
Ao analisar o pedido, o desembargador entendeu que, naquele momento, não havia prova de constrangimento ilegal que justificasse a libertação imediata da investigada. "A concessão de liminar em Habeas Corpus pressupõe a prova pré-constituída de flagrante constrangimento ilegal, o que, por ora, não se verifica", afirmou o relator na decisão.
O desembargador pediu mais informações sobre o caso e determinou que o Ministério Público se manifeste antes da decisão definitiva sobre o pedido de liberdade.
Em nota, a defesa de Carla afirmou que respeita a decisão judicial, mas avalia os fundamentos e possíveis medidas jurídicas, reforçando que a investigação deve ser criteriosa e imparcial, com respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e à presunção de inocência.
Juiz defende manutenção da prisão
Nas informações encaminhadas ao Tribunal de Justiça, o juiz Rodrigo Fernando Di Gioia Colosimo, da Vara Única de Jaboticatubas, defendeu os fundamentos que levaram à prisão preventiva de Carla e Samuel.
Segundo o magistrado, a medida foi baseada na garantia da ordem pública, na conveniência da investigação e na aplicação da lei penal. O documento também indica que uma adolescente levou policiais ao local onde o corpo de Beatriz Vitória foi encontrado.
O juiz ainda rebateu a alegação de coação policial apresentada pela defesa. De acordo com as informações prestadas ao tribunal, Carla estava acompanhada de advogada na delegacia, permaneceu em silêncio durante o procedimento e um exame médico-legal não constatou lesões corporais traumáticas.
O caso segue em investigação, com os autos aguardando a conclusão de laudos periciais e o encerramento do inquérito policial. O g1 entrou em contato com a Polícia Civil e com o Ministério Público e aguarda retorno.