Jovem é encontrada morta e amarrada em lote vago na Grande BH; 2 são presos

Corpo de Beatriz foi encontrado em cova em área de mata - Reprodução/RECORD MINAS
Beatriz Vitória desapareceu em 9 de outubro e foi encontrada em cova com mãos amarradas; ex-namorado e atual namorada dele foram presos
A investigação sobre o desaparecimento de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, encerrou-se de forma trágica com a localização do corpo da jovem em uma área de lotes vagos em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na quarta-feira (21). O ex-namorado dela, Samuel Castro Melo, de 18 anos, e a atual namorada dele, Carla Luiza da Silva, de 23 anos, foram presos como suspeitos de participação no crime.
Beatriz Vitória estava desaparecida desde 9 de outubro, quando foi vista pela última vez em um bar no bairro Bom Jesus, em Jaboticatubas. O caso mobilizou familiares, amigos e equipes da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que realizaram buscas e colheram informações sobre as circunstâncias do desaparecimento.
O último avistamento
Beatriz Vitória foi vista pela última vez na noite de sexta-feira, 9 de outubro, após sair de um bar no bairro Bom Jesus. Segundo a irmã dela, Geovana Luiza, a jovem estava com amigos quando disse que iria conversar com pessoas que estavam em um carro.
"Ela estava com os meninos no bar e ela falou com eles: 'Vou ali conversar no carro, se eu não voltar em cinco minutos, vocês vão atrás de mim'. Acabou que ela não voltou, ele foi, mas o carro já tinha sumido com ela", relatou Geovana à Itatiaia.
Familiares informaram que Beatriz Vitória havia entrado em um veículo prata, inicialmente descrito como um Fiat Palio. A irmã também afirmou que a jovem teria recebido ameaças da atual namorada do ex-companheiro, e que o relacionamento anterior teria sido marcado por conflitos e possíveis episódios de agressão.
Nos primeiros dias após o desaparecimento, parentes e amigos se mobilizaram para procurar a jovem. A Polícia Civil realizou diligências em diferentes regiões do município e analisou informações que pudessem ajudar a esclarecer o caso. Samuel e Carla já haviam prestado depoimento na Delegacia de Polícia Civil de Jaboticatubas e negado qualquer envolvimento no desaparecimento.
O depoimento decisivo
A investigação avançou quando policiais da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida (DRPD), em Belo Horizonte, receberam informações de que uma adolescente de 15 anos poderia saber o que havia acontecido com Beatriz Vitória. A equipe foi até Jaboticatubas e conversou com a adolescente na presença do pai dela.
Conforme o registro policial, a adolescente relatou que estava em casa quando recebeu uma mensagem de Carla, informando que iria buscá-la acompanhada de Samuel. Os dois chegaram em um Volkswagen Up branco, supostamente de propriedade do pai de Samuel. Posteriormente, Beatriz Vitória também foi chamada para acompanhá-los.
A adolescente contou que Samuel dirigia, Carla estava no banco do passageiro, ela ocupava o banco traseiro e Beatriz Vitória entrou no carro e se sentou ao lado dela. Segundo o depoimento registrado no boletim de ocorrência, o grupo seguiu em direção à MG-020 e, após aproximadamente 20 minutos de percurso, Samuel entrou em uma estrada de terra no sentido da região conhecida como Cachoeira Palmeiras.
O veículo percorreu cerca de cinco quilômetros até chegar a uma área de lotes vagos conhecida como Terra dos Portugueses. A adolescente afirmou que Samuel estacionou o veículo dentro de um lote, abriu o porta-malas e retirou objetos que ela não conseguiu identificar. Em seguida, Carla e Beatriz Vitória acompanharam Samuel para uma área mais distante, fora do campo de visão da adolescente.
Ela esperou entre 30 minutos e uma hora até que os dois retornassem ao veículo, mas Beatriz Vitória não voltou com eles. No caminho de volta, Samuel permaneceu em silêncio e Carla apresentou um comportamento que a adolescente considerou suspeito.
A localização do corpo
Após chegar à região indicada pela adolescente, a equipe da DRPD iniciou buscas em uma extensa área de lotes vagos. Um investigador localizou uma cova com terra aparentemente remexida recentemente e com presença de moscas.
A perícia foi acionada e realizou os procedimentos necessários. O corpo de Beatriz Vitória foi retirado da cova e encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), em Belo Horizonte. De acordo com o boletim, a jovem estava com as mãos amarradas para trás por um pedaço de arame. Um irmão dela reconheceu uma tatuagem fotografada no corpo, confirmando a identidade da vítima.
Nas proximidades da cova, os policiais encontraram um chinelo que seria de Beatriz Vitória e uma capa de celular sem o aparelho. Uma embalagem de soda cáustica também foi encontrada na região, e a hipótese descrita no boletim aponta que o produto teria sido utilizado para acelerar a decomposição do corpo. Um pedaço de tijolo com uma possível marca de sangue foi recolhido para análise. A causa da morte ainda depende de laudo médico-legal.
A prisão dos suspeitos
Após o relato da adolescente e a localização da cova, a Polícia Civil desencadeou uma operação para prender os suspeitos. Os investigadores receberam informações de que Samuel e Carla estariam na casa dela, em Jaboticatubas. A equipe foi até o endereço e encontrou o casal dentro da residência.
Conforme o registro policial, ao serem informados sobre a prisão, os dois inicialmente reconheceram envolvimento nos fatos e disseram que prestariam esclarecimentos. Os celulares dos envolvidos foram apreendidos para auxiliar nas investigações, e as senhas dos aparelhos foram fornecidas aos policiais. O Volkswagen Up branco mencionado no relato da adolescente ainda não havia sido localizado no momento do registro da ocorrência, e as diligências para encontrar o veículo continuavam.
A defesa de Carla
A advogada Tatiany Barbosa, responsável pela defesa de Carla, afirmou à Itatiaia que orientou a cliente a exercer o direito constitucional ao silêncio. "Como defesa, eu não posso falar muito no momento. Até porque escolhi para minha cliente manter o direito ao silêncio, o direito dela constitucional, para que todos os fatos sejam esclarecidos", declarou.
A advogada também ressaltou que Carla nega os fatos e que a cliente tem direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência. "Tudo será esclarecido durante a instrução processual", acrescentou.
Samuel e Carla foram levados à Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida, em Belo Horizonte, para serem ouvidos pela Polícia Civil. A investigação ainda precisa esclarecer a motivação do crime e a dinâmica da morte de Beatriz Vitória, com os materiais recolhidos na área sendo submetidos a exames periciais.
A Polícia Civil informou que apresentaria novos detalhes sobre o caso em uma coletiva de imprensa prevista para a quinta-feira (22). Enquanto as investigações prosseguem, Samuel e Carla são tratados como suspeitos, e a responsabilidade criminal de cada um deverá ser apurada pelas autoridades competentes.



