AVC pode ser prevenido com alimentação saudável, dizem especialistas

© Tomaz Silva/Agência Brasil
Entenda como a dieta influencia diretamente os principais fatores de risco do AVC e o que fazer na recuperação
O AVC, popularmente conhecido como derrame, chegou a ser responsável por mais de 85 mil mortes no Brasil em 2024, tornando-se uma das principais causas de incapacidade no país. Com sintomas repentinos como boca torta, perda de força em um braço e fala embaralhada, a doença exige atenção constante. Em outubro, mês de conscientização sobre o tema, especialistas reforçam como a alimentação pode atuar tanto na prevenção quanto na recuperação de quem já enfrentou o problema. Existem dois tipos principais de AVC. No isquêmico, o mais comum, uma artéria responsável por levar sangue ao cérebro fica obstruída.
Já no hemorrágico, um vaso sanguíneo se rompe. Nos dois casos, uma parte do cérebro fica sem oxigênio e começa a morrer, com consequências que podem ser permanentes. Para entender a relação entre alimentação e AVC, vale pensar nos vasos sanguíneos como os canos de uma casa. A pressão alta funciona como uma bomba forte demais, que desgasta os canos até eles racharem. O excesso de gordura, açúcar e o cigarro vão criando crostas que estreitam a passagem do sangue. A comida influencia diretamente esses dois problemas.
A pressão alta é o principal fator de risco para o AVC, e o brasileiro consome sal em excesso: em média, cerca de 9 gramas por dia, quase o dobro do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 5 gramas, equivalente a pouco menos de uma colher de chá. A maior parte desse sal não vem do saleiro, mas de produtos industrializados. Temperos em cubo, embutidos, salgadinhos, macarrão instantâneo, molhos prontos e fast-food estão entre os grandes vilões do consumo excessivo de sódio. Além de reduzir o sal, a alimentação também tem papel relevante na recuperação de quem já sofreu um AVC. Muitos pacientes desenvolvem dificuldade para engolir, o que aumenta o risco de engasgo e pneumonia.
Nesses casos, o fonoaudiólogo avalia a deglutição e o nutricionista adapta a consistência dos alimentos, com purês, caldos espessados e preparações pastosas. Outros cuidados importantes durante a recuperação incluem: - Garantir proteína suficiente para preservar a massa muscular durante a reabilitação - Manter a hidratação adequada, já que muitos pacientes sentem menos sede - Investir em fibras e água para evitar o intestino preso, comum pela imobilidade - Quem usa o anticoagulante varfarina deve manter constante a quantidade de folhas verdes, ricas em vitamina K, sem cortar nem exagerar de repente A prevenção do AVC começa na escolha dos alimentos no mercado, nas decisões tomadas na cozinha e também no consultório médico. Medir a pressão com regularidade e seguir o tratamento correto são atitudes tão importantes quanto o que vai ao prato. Pequenas escolhas diárias têm o poder de proteger o cérebro ao longo de toda a vida.