Jogadores prestigiados do Brasil compram certificados falsos de treinador

Ex-jogadores brasileiros como Felipe Melo e Diego Souza compraram certificados falsos da ATFA, uma das escolas de treinadores mais prestigiadas do mundo
O mundo do futebol brasileiro foi surpreendido esta semana com a revelação de que o ex-volante Mancuso negociava licenças falsas de treinador emitidas pela ATFA, renomada escola de treinadores da Argentina, por valores que chegavam a 20 mil dólares. A reportagem é de Joanna de Assis. Mancuso, que defendeu a seleção argentina e atuou no Brasil por Flamengo e Palmeiras, era o intermediário de um esquema no qual o comprador recebia em casa, em apenas uma semana, o certificado de um curso que, pelos caminhos convencionais, exige três anos de estudo. O esquema era simples e direto: mediante pagamento, o interessado obtinha o diploma da ATFA sem precisar cumprir nenhuma etapa do processo formativo.
Entre os brasileiros que adquiriram certificados nesse esquema estão nomes como Felipe Melo, Alex e Diego Souza. Não é possível determinar com certeza se os compradores sabiam tratar-se de uma fraude ou se foram enganados, mas esse não é o ponto central da questão. O que realmente chama a atenção é o fato de que parece haver uma aversão de parte dos ex-jogadores brasileiros ao conhecimento. O curso da ATFA é um dos mais prestigiados do mundo, e seu diploma permite ao portador trabalhar em clubes da Europa, algo que o certificado emitido pela CBF não proporciona. Ou seja, a credencial legítima da instituição argentina abre portas que o equivalente brasileiro simplesmente não consegue abrir.
O verdadeiro ganho de realizar um curso dessa categoria com seriedade está na aquisição de conhecimento, no aprendizado de novas metodologias de trabalho e no contato com as melhores práticas do futebol mundial. Obter o diploma em casa após o pagamento de uma quantia elevada poderia, em tese, abrir algumas portas no mercado, mas não traria nenhum saber, o que evidentemente deveria ser o objetivo principal de qualquer formação. Essa aparente indiferença de parte dos brasileiros pelo conhecimento, aliada à busca por atalhos para ostentar um diploma sem o devido esforço, pode ajudar a explicar por que o treinador brasileiro é atualmente uma categoria tão pouco valorizada no mercado do futebol mundial. A fraude envolvendo a ATFA expõe não apenas um crime, mas uma mentalidade que prejudica o desenvolvimento do futebol nacional como um todo.