Chanceler diz que Irã e Rússia nunca foram tão próximos

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Chanceler iraniano Araghchi afirma que os dois países ampliam cooperação nuclear e econômica após encontro com Lavrov
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou nesta terça-feira (20) que Irã e Rússia jamais trabalharam de forma tão próxima como nos dias atuais. A afirmação foi feita após o encontro com o chanceler russo, Sergei Lavrov, em visita ao país. Araghchi publicou na rede social X que as conversas se concentraram em ampliar a "cooperação econômica e nuclear" entre os dois países. Em suas palavras, Araghchi escreveu: "Nunca em nossa história, Irã e Rússia fizeram trabalhos tão próximos como agora. Abordamos tudo, da Europa até à Ásia Ocidental, incluindo Líbano, Palestina, Ucrânia e Iêmen. Também nos concentramos na ampliação da cooperação económica e nuclear".
A declaração ocorre em um momento de impasse nas negociações entre Teerã e Washington, com a mídia estatal iraniana noticiando que os dois países negociam a construção de novas unidades de usina nuclear. Antes de se deslocar ao Irã, ainda em Moscou, o chanceler russo Sergei Lavrov declarou que o objetivo da visita era "impedir o retorno de uma guerra de grande magnitude". O presidente russo, Vladimir Putin, também sinalizou recentemente ao presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que está disposto a contribuir com esforços de mediação entre Teerã e Washington.
No campo militar, as Forças Armadas dos Estados Unidos elaboraram planos de ataque contra o Irã que podem incluir o uso da bomba GBU-43/B, conhecida como "mãe de todas as bombas". A informação foi divulgada pela CNN Internacional, com base em relatos de autoridades americanas. Os alvos seriam instalações nucleares e a infraestrutura energética do país, e os ataques poderiam ocorrer caso o presidente Donald Trump ordene a retomada das operações militares. O apelido do explosivo vem da sigla MOAB, que significa Massive Ordnance Air Blast, ou explosão aérea de munição de grande porte. A arma pesa cerca de 9,8 toneladas, tem aproximadamente nove metros de comprimento e sua potência explosiva equivale a cerca de 11 toneladas de TNT.
Apesar do poder de destruição, ela não se compara às bombas nucleares usadas pelos Estados Unidos contra Hiroshima e Nagasaki, em 1945. A MOAB foi testada pela primeira vez em março de 2003, na Flórida, é guiada por GPS e foi projetada para ser lançada de aeronaves militares de transporte, como o MC-130, com auxílio de um paraquedas. Desenvolvida por Albert L. Weimorts Jr., do Laboratório de Pesquisa da Força Aérea americana, a arma foi projetada para atingir alvos em uma grande área com uma onda de choque intensa. Ainda há dúvidas, porém, sobre a eficácia da arma para atingir os objetivos estratégicos de Washington, segundo autoridades ouvidas pela rede americana.
Os Estados Unidos decidiram suspender os ataques contra alvos iranianos até o fim das eleições legislativas de meio de mandato — as midterms, marcadas para 3 de novembro. Em publicação no início de outubro, Trump descartou novos ataques contra o país persa até o final do mês e afirmou que Washington e Teerã estão tendo "discussões produtivas". "Quero deixar claro para todos que, embora o Irã esteja em péssimas condições, tanto econômica quanto militarmente, e embora o bloqueio permaneça em pleno vigor e efeito, (...) não atacaremos o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato que serão realizadas nos Estados Unidos", declarou o presidente americano. Após a publicação de Trump, o Tesouro dos EUA anunciou novas sanções contra o Irã, visando dezenas de pessoas, entidades e embarcações. Apesar da suspensão dos ataques, não há nenhum acordo de trégua vigente entre os dois países, mantendo o cenário de tensão entre Washington e Teerã.