Anvisa desmente que uso da ivermectiva tenha efeito contra o câncer

Fachada da Anvisa | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Anvisa desmentiu informações que circulam nas redes sociais sobre o uso de ivermectina como tratamento contra o câncer, alertando para os riscos da desinformação.
A ivermectina, medicamento indicado para o tratamento de infecções parasitárias, tem sido amplamente apontada nas redes sociais como uma possível cura para o câncer. Os rumores ganharam ainda mais repercussão após o ator americano Mel Gibson afirmar, em entrevista, que três amigos seus teriam vencido o câncer em estágio avançado após usar o remédio. Na quinta-feira (15), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou um comunicado oficial alertando que não existem evidências científicas de que a ivermectina cure câncer ou qualquer outra doença além de infecções causadas por parasitas e vermes.
"Nas redes sociais, circulam informações a respeito de estudos em laboratório (in vitro) e em animais, sugerindo que o medicamento poderia ter propriedades antitumorais. Várias postagens informam que foram iniciados ensaios clínicos, para demonstrar segurança e benefício real para pacientes com câncer, e comercializam e-books e protocolos de tratamento que têm a ivermectina como medicamento-chave", diz a Anvisa. A agência também destacou que não existe nenhum pedido ou estudo de qualquer laboratório junto à Anvisa para que a ivermectina passe a ser indicada para tratamentos oncológicos.
"Estudos in vitro e em animais são os primeiros realizados em pesquisas iniciais, mas, por si só, NÃO são suficientes para comprovar a eficácia terapêutica de um medicamento", afirma o comunicado. Um dos maiores riscos associados a esse tipo de indicação sem respaldo científico é que pacientes podem abandonar terapias comprovadamente eficazes, como quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou cirurgia, para adotar o uso da ivermectina.
Além disso, o uso de substâncias sem orientação médica pode interferir na eficácia dos tratamentos oncológicos convencionais ou intensificar seus efeitos colaterais. "Existem mais de 200 tipos de câncer identificados na literatura. Por isso, o tratamento oncológico é definido por médicos a partir do tipo de tumor, estágio da doença e condição clínica do paciente. As principais modalidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde incluem cirurgia oncológica, radioterapia, quimioterapia e, em casos selecionados, transplante de medula óssea, isoladas ou combinadas. Isso ocorre sempre dentro de diretrizes e protocolos clínicos que têm base científica", conclui a Anvisa.