ALMG perde tropa de choque da oposição

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Saída de Bella Gonçalves, Lohanna e Professor Cleiton abre espaço para novos nomes na oposição da ALMG em 2027
A oposição ao governo de Minas Gerais chegará a 2027 enfraquecida. O grupo perdeu nomes centrais de sua tropa de choque após as eleições de outubro. A ida de Bella Gonçalves (PT) e Lohanna (PV) para a Câmara dos Deputados, somada à derrota de Professor Cleiton (PV), que não conseguiu se reeleger, obriga o bloco a reorganizar sua estratégia de atuação nas comissões da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Com requerimentos, pedidos de vista e intervenções prolongadas, a tropa de choque da oposição retarda votações de projetos prioritários para o governo e eleva o custo político de propostas controversas. Os três não eram os únicos responsáveis pelo enfrentamento ao governo, mas ganharam destaque em debates decisivos na ALMG, como o da PEC do Referendo, que abriu caminho para o avanço da privatização da Copasa.
Também tiveram papel relevante nas iniciativas de desgaste do governo após a operação Rejeito revelar um esquema de fraudes na Secretaria de Meio Ambiente do estado. Coube a Lohanna, por exemplo, a missão de tentar instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso. Foi de Professor Cleiton a apresentação de pedidos de investigação de denúncias envolvendo relações do governo Romeu Zema (Novo) e instituições vinculadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, como no caso da Cemig SIM, e na avaliação de contratos de concessão do direito de exploração do nióbio em Araxá. Bella Gonçalves, por sua vez, denunciou entre vários outros casos relações suspeitas envolvendo o processo de elaboração do projeto de privatização da Copasa e o Banco BTG, de André Esteves, incluindo a participação de Romeu Zema (Novo) em agendas do banco antes das articulações para a venda da companhia.
A saída dos três não representa o fim da oposição combativa na ALMG, mas impõe uma tarefa prática: encontrar quem consiga substituí-los na estratégia de sustentar o enfrentamento sem perder capacidade de articulação. Nesse cenário, Iza Lourença (PSOL) e Adriana Souza (PT) despontam como duas das principais apostas para assumir o protagonismo na próxima legislatura. Vereadora em Belo Horizonte, Iza Lourença foi eleita deputada estadual com apoio de Duda Salabert (PSOL), que também conquistou projeção nacional. A expectativa entre os oposicionistas é que ela leve para a ALMG o perfil combativo que marcou sua atuação na Câmara Municipal. "O principal desafio que vamos enfrentar na Assembleia é o mesmo que estamos vivendo em todo o Brasil, que é resistir aos ataques do bolsonarismo e aprovar medidas que melhorem efetivamente a vida do povo mineiro.
Da minha parte, vou continuar fazendo política junto dos movimentos sociais e vou lutar para que nossa bancada de esquerda seja combativa, com disposição para o diálogo e coragem para se contrapor à extrema direita", afirma Iza. Adriana Souza, vereadora em Contagem, também chega com experiência na articulação política. Ela liderou a base da prefeita Marília Campos (PT), eleita senadora, e conquistou uma das votações mais expressivas da federação liderada pelo PT, ficando em quarto lugar entre os candidatos do grupo. A passagem pela Câmara de Contagem e a experiência na relação com o Executivo podem ajudá-la a ocupar espaço nas intervenções coordenadas pela oposição na ALMG. (Hermano Chiodi)