Dois homens ligados a protestos são executados no Irã

Bandeira do Irã hasteada próximo a esforços militares
Alireza Sepahi e Alireza Raisi foram executados na Prisão Central de Isfahan, ligados aos protestos de janeiro de 2026 no Irã
As autoridades do Irã executaram nesta manhã dois presos ligados aos protestos de janeiro de 2026: Alireza Sepahi e Alireza Raisi. As execuções foram realizadas na Prisão Central de Isfahan e confirmadas tanto pela ONG Hengaw Organization for Human Rights quanto pela agência Mizan, vinculada ao Judiciário iraniano. Alireza Sepahi tinha 25 anos e foi detido durante as manifestações após ser atingido por quatro tiros, conforme relata a Hengaw. A organização informa ainda que a mãe dele foi condenada a cinco anos de prisão. Um familiar próximo já havia sido executado no mesmo processo: o primo Abolfazl Sepahi foi condenado à morte e executado publicamente em 28 de julho de 2026. A Hengaw afirma que Alireza Sepahi chegou a ter execução marcada para a mesma data, mas sofreu um infarto quando era levado à forca e precisou ser encaminhado a um hospital.
Enquanto estava preso, Alireza Sepahi se casou com Mahshad Kashani, descrita pela ONG como presa política. Segundo a Hengaw, o casal não recebeu autorização para nenhuma visita presencial e permaneceu detido até o momento da execução. O segundo executado, Raisi, também foi preso nos protestos de janeiro e tinha parentesco próximo com Ramin Raisi, morto durante as manifestações em Isfahan, de acordo com a organização. A ONG não detalha a data da morte de Ramin Raisi.
As prisões e condenações estão relacionadas aos protestos ocorridos em 8 de janeiro de 2026 na região da Praça Alikhani, entre os bairros de Malek Shahr e Kaveh, em Isfahan. A Hengaw afirma que, nos dias 8 e 9, forças iranianas atiraram diretamente contra manifestantes e mataram pessoas no local. As autoridades iranianas, por sua vez, alegam que quatro integrantes da milícia Basij e de unidades especiais morreram durante os confrontos, citando os nomes Hossein Ramezani, Mohammad Hemmati, Seyed Ali Khoshouei e Valiollah Safari. Segundo a ONG, ao menos 59 pessoas foram presas e 12 receberam sentença de morte no caso. A Hengaw afirma que a Vara 1 do Tribunal Revolucionário de Isfahan aplicou as condenações.
A organização acusa ainda as autoridades de submeterem Alireza Sepahi e Raisi a tortura e de forçarem confissões durante a detenção, além de ameaças de morte por meio da injeção de ar nas veias. O contexto das execuções é ainda mais amplo: ao menos 604 prisioneiros foram executados pelo Irã em 2026, segundo a ONG Iran Human Rights, entre eles quatro mulheres. A maioria dessas pessoas foi presa durante os protestos de janeiro. O Irã reconheceu que ao menos 3.000 pessoas foram mortas durante confrontos nos protestos, mas o balanço da Iran Human Rights é maior e estima que 6.854 pessoas foram mortas pelas forças de segurança iranianas. As manifestações tiveram início no fim de dezembro de 2025 e se intensificaram nas primeiras semanas de janeiro. Em retaliação, a comunicação do Irã com o exterior foi cortada por semanas. Cerca de 40.000 manifestantes foram detidos, e buscas domiciliares foram realizadas, com postos de controle instalados para deter os envolvidos — entre eles, crianças, segundo a mesma instituição.