Alckmin rebate Flávio sobre corte de R$ 200 bi

Foto: PR/Reprodução
Vice-presidente compara proposta de ajuste fiscal de Flávio Bolsonaro às políticas econômicas adotadas por Javier Milei na Argentina
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva escalou o vice-presidente Geraldo Alckmin para rebater a principal proposta econômica de Flávio Bolsonaro na reta final do segundo turno: o corte de quase R$ 200 bilhões do Orçamento federal. Em vídeo divulgado nesta terça-feira nas redes sociais do petista, Alckmin questiona quais despesas seriam atingidas pela medida e recorre ao exemplo da Argentina, governada por Javier Milei, para comparar as propostas do adversário com as políticas de ajuste fiscal adotadas no país vizinho. A equipe do candidato do PL estuda um ajuste equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) já no primeiro ano de um eventual governo, o que representaria cerca de R$ 200 bilhões.
A ex-presidente da Caixa Daniella Marques, coordenadora da agenda econômica da campanha, defende rever o arcabouço fiscal criado pelo governo Lula e substituí-lo por uma regra que leve em conta a trajetória da dívida pública. A campanha de Flávio também menciona a redução de supersalários, cargos comissionados e ministérios, além do envolvimento dos outros Poderes no esforço fiscal. Não há detalhes, porém, sobre de onde sairia a economia necessária para sustentar o ajuste já no início da gestão. O vídeo aposta em um formato mais informal.
Enquanto passa um café, Alckmin enumera medidas de austeridade adotadas na Argentina, como mudanças nas políticas de reajuste de aposentadorias, restrições ao seguro-desemprego e redução de programas de distribuição gratuita de medicamentos. O vice-presidente faz referência a declarações de integrantes da equipe econômica de Flávio, que já defenderam a adoção de medidas semelhantes às implementadas no país vizinho, embora o senador negue a intenção de cortar benefícios sociais. — "Flávio Bolsonaro disse que pretende cortar quase R$ 200 bilhões do Orçamento. A pergunta que ele nunca responde é de onde pretende cortar esse dinheiro. A equipe econômica dele já disse que quer copiar as políticas adotadas na Argentina" — afirma Alckmin. A estratégia da campanha petista é colocar em dúvida a viabilidade do ajuste fiscal anunciado por Flávio sem mudanças em despesas que atingem diretamente a população.
No vídeo, Alckmin busca associar a proposta do adversário à perda de direitos e de benefícios sociais. — "Apesar de prometer esse tesouraço e dizer que a Argentina é o modelo a ser seguido, Flávio jura de pé junto que não pretende cortar benefícios sociais. E é por isso que a conta não fecha de jeito nenhum" — diz o vice-presidente. Alckmin também endurece o discurso contra o adversário e menciona episódios envolvendo o Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro, o caso das rachadinhas e a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 para questionar a credibilidade das promessas feitas pelo candidato do PL. — "Ou ele está mentindo para você, eleitor, e não vai fazer corte nenhum, ou ele está escondendo quem vai perder com esse corte" — afirma.
A nova ofensiva ocorre após a campanha petista sofrer um revés na Justiça Eleitoral ao abordar o mesmo tema. No início do mês, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de uma propaganda que associava os cortes defendidos por Flávio à redução de recursos de programas como Farmácia Popular, Pé-de-Meia e Minha Casa, Minha Vida. A decisão apontou falta de elementos que sustentassem a atribuição dessas intenções ao candidato. Desta vez, a campanha concentra o ataque na cobrança por detalhes sobre o ajuste fiscal e utiliza a experiência argentina como referência para questionar as consequências da proposta. Flávio tem defendido a necessidade de reduzir despesas públicas, mas nega que o plano envolva cortes em benefícios sociais.