Cidade da Ucrânia constrói escolas-bunker para alunos

Foto: Reprodução/FMT
A 30 km da linha de frente, Zaporíjia transfere escolas para bunkers subterrâneos para proteger crianças dos ataques russos
A cidade ucraniana de Zaporíjia é alvo frequente de ataques russos com drones e bombas planadoras lançadas por caças. Localizada a apenas 30 quilômetros da linha de frente, a cidade enfrenta uma ameaça constante à sua população. Para proteger as crianças durante os bombardeios, a prefeitura lançou um amplo programa de construção de escolas subterrâneas, transferindo toda a rotina escolar para bunkers situados a vários metros abaixo da superfície. Enquanto as sirenes soam pela cidade, o pátio da escola e a quadra de basquete permanecem vazios.
No andar superior dos edifícios escolares, não resta uma única vidraça — todas as janelas foram substituídas por painéis de cortiça. Desde fevereiro de 2025, para encontrar os alunos, é preciso descer até estruturas subterrâneas de grande porte, onde banheiros, recreio, atividades esportivas, refeitório e aulas acontecem vários metros abaixo da superfície. O jovem ucraniano Yaroslav trocou de escola justamente para estudar nesse ambiente, que considera mais seguro. "Eu adoro esta escola. Aqui fazemos tudo no subsolo e, por isso, nos sentimos sempre seguros. Minha escola anterior também tinha um bunker, mas ele não era muito profundo e não havia espaço para praticar esportes, por exemplo. Era muito pequeno", conta.
Antes da construção das escolas subterrâneas, os estudantes eram obrigados a acompanhar as aulas à distância. A psicóloga da escola, Tatyana Chepkova, destaca as consequências dessa realidade: "Era preciso interromper a aula a cada alerta aéreo e eles praticamente não tinham interação social". Com a mudança para o ambiente subterrâneo, ela observa uma transformação no comportamento dos alunos: "Hoje, eles voltam para a escola com mais entusiasmo".
Diante da intensificação dos ataques, Zaporíjia pretende transferir 25 escolas para estruturas subterrâneas a fim de protegê-las dos bombardeios russos. As crianças mais novas da Ucrânia jamais conheceram outra realidade além da guerra. Somente na noite anterior à reportagem, dois prédios residenciais, um centro comercial e um edifício universitário da cidade foram atingidos por ataques russos. A situação das crianças ucranianas também preocupa organismos internacionais. Uma comissão independente da ONU alertou sobre as crianças que vivem nas áreas ocupadas pela Rússia.
Segundo a comissão, aulas de caráter patriótico pró-Rússia passaram a ser obrigatórias a partir dos três anos de idade, enquanto treinamentos militares passam a ser exigidos dos adolescentes a partir dos 14 anos. Zaporíjia segue resistindo sob constante ameaça, enquanto sua população busca adaptar a rotina às condições impostas pelo conflito. A aposta nas escolas-bunker representa uma tentativa de garantir continuidade à educação e à vida social das crianças em meio à guerra.