Ucrânia lidera vítimas de bombas de fragmentação

Foto: Reprodução/FMT
Relatório da CMC aponta mais de 1.000 mortos ou feridos em 2025, com a Ucrânia concentrando 87% das vítimas globais
O número de vítimas de bombas de fragmentação segue crescendo ao redor do mundo. De acordo com relatório publicado nesta terça-feira (8) pela Coalizão contra Munições de Fragmentação (CMC), mais de 1.000 pessoas morreram ou foram feridas por esse tipo de arma no ano passado, sendo a maioria delas civis. A Ucrânia concentra o maior índice de vítimas registrado globalmente. Apesar de as bombas de fragmentação serem proibidas em diversos países pela Convenção de Oslo de 2008, elas provocaram pelo menos 1.063 vítimas em 2025, um dos números anuais mais elevados já documentados.
O levantamento aponta que os civis representaram 87% de todos os atingidos. Pelo quarto ano consecutivo desde a invasão russa de fevereiro de 2022, a Ucrânia registrou o maior número de vítimas desse tipo de armamento no mundo. Foram pelo menos 927 pessoas mortas ou feridas no país, o equivalente a 87% do total mundial. Além da Ucrânia, outros oito países registraram vítimas de ataques diretos com munições de fragmentação ou com restos dessas armas em 2025: Afeganistão, Camboja, Iraque, Laos, Líbano, Mianmar, Rússia e Síria. Uma bomba de fragmentação é um contêiner repleto de pequenas bombas explosivas, que pode se apresentar na forma de projétil, foguete ou míssil.
Lançada de um avião ou a partir do solo, a arma se abre durante o voo e libera as submunições. Essas submunições apresentam frequentemente elevado índice de falha, o que expõe os civis a um perigo imediato, mas também duradouro. As pequenas bombas, frequentemente coloridas, "tendem a atrair especialmente as crianças", explicou na semana passada Erik Tollefsen, diretor da Unidade de Contaminação por Armas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). O risco para a população infantil é, portanto, uma das preocupações centrais levantadas pelo relatório. Durante o período contemplado pelo documento — todo o ano de 2025 e o primeiro semestre de 2026 — Irã, Mianmar, Rússia, Tailândia e Ucrânia foram identificados como países que utilizaram armas de fragmentação. Todos eles não são signatários da Convenção de Oslo, o que evidencia a relação direta entre a não adesão ao tratado e o uso dessas armas em conflitos ativos. O relatório da CMC reforça a gravidade do cenário humanitário associado ao uso de bombas de fragmentação, especialmente em territórios onde os conflitos armados continuam em curso, com a Ucrânia permanecendo como o epicentro das vítimas desse tipo de armamento no mundo.