Guerra de Trump no Irã passa de 200 dias sem audiência exclusiva no Congresso

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: Alex Brandon / Pool
Conflito já custou US$ 38 bilhões e deixou 18 militares americanos mortos, mas o Congresso dos EUA ainda não realizou audiência pública sobre a guerra
A guerra de Trump no Irã ultrapassa 200 dias sem que os republicanos realizem uma audiência pública exclusiva no Congresso dos Estados Unidos para aprovar ou rejeitar o conflito. Segundo o The Independent, o Congresso também não abriu uma investigação parlamentar específica sobre os custos, as vítimas e uma possível saída para a guerra.
Democratas cobram transparência do governo e da maioria republicana no Congresso. Gregory Meeks, líder democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, afirma que os republicanos abandonaram sua função básica de fiscalização ao não promoverem debates públicos sobre o conflito.
O saldo humano e financeiro da guerra é expressivo. O conflito já deixou ao menos 18 militares americanos mortos e mais de 750 feridos, além de milhares de iranianos mortos. O governo estima gastos de US$ 246 milhões por dia, enquanto os preços globais de energia sobem e as ameaças a rotas marítimas persistem.
O Escritório de Orçamento do Congresso estima que a guerra já custou cerca de US$ 38 bilhões. Cada mês adicional de combate deve acrescentar entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões às despesas, de acordo com o relatório.
Autoridades do Pentágono participaram de audiências sobre orçamento, mas não de uma sessão pública dedicada especificamente à guerra. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, depuseram ao Congresso pela primeira vez apenas em abril.
Os democratas fazem um contraste direto com a resposta do Congresso ao ataque de 2012 contra instalações diplomáticas dos EUA em Benghazi, na Líbia. Aquele episódio, que matou quatro americanos, levou a pelo menos dez investigações, incluindo seis na Câmara.
Comissões do Congresso realizaram mais de 30 audiências sobre Benghazi, sendo 22 conduzidas por comissões da Câmara sob controle republicano. Uma comissão especial divulgou seu relatório final em junho de 2016, após uma das investigações mais longas desse tipo na história dos EUA.
Além dos custos financeiros e humanos, a guerra também reduziu os estoques americanos de interceptadores de defesa contra mísseis. O relatório do Escritório de Orçamento do Congresso aponta que o conflito consumiu até dois terços desse arsenal desde junho de 2025 e que sua reposição pode levar ao menos cinco anos.
No plano internacional, as Nações Unidas avaliam que dois ataques aéreos dos EUA realizados em fevereiro, que mataram ao menos 178 civis iranianos, podem ter configurado crimes de guerra. Autoridades militares descartaram novas investigações sobre mortes de civis, após apurações internas sobre um ataque a uma escola de meninas perderem força.