Crise no STF preocupa articulação de Lula e amplia pressão política

Presidente Lula - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Equipe de reeleição de Lula teme dificuldade em se desvincular de Moraes após sessão histórica no STF
A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) tomou proporções maiores do que o esperado pela equipe de articulação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo apuração da analista de Política da CNN Clarissa Oliveira, o sinal de alerta já está aceso há algum tempo dentro do grupo que trabalha pela reeleição de Lula, diante da dificuldade em desvinculá-lo da figura do ministro Alexandre de Moraes.
A sessão histórica realizada no STF gerou uma espécie de "ressaca" política no Palácio do Planalto. A preocupação eleitoral é crescente, sobretudo porque o tema já vem sendo explorado pelo adversário Flávio Bolsonaro (PL) e deve ser levado com força até o primeiro turno das eleições municipais.
Ainda de acordo com a apuração, o governo federal tentou adotar um jogo duplo durante a sessão: ao mesmo tempo em que buscava se descolar publicamente de Alexandre de Moraes, não chegou a abandoná-lo de vez.
"A mão de Alexandre de Moraes não foi largada pelo presidente Lula", afirmou Clarissa Oliveira, destacando que dois dos ministros mais fiéis a Lula integraram a chamada "tropa de choque" formada no STF em favor de Moraes.
A estratégia do grupo era obter um placar favorável à análise conjunta dos casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça, o que permitiria transferir o desgaste para Mendonça e isentar Moraes sem que Lula precisasse fazer qualquer manifestação pública de apoio.
No entanto, o plano não saiu como esperado. "O que há é uma estratégia que fracassou", avaliou Clarissa Oliveira, citando a resistência do ministro Fachin e os votos de outros magistrados como fatores determinantes para que o placar desejado não fosse alcançado.
Com o resultado da sessão aquém do esperado por ambos os lados, o impasse político se aprofundou. Nem o grupo ligado a Alexandre de Moraes nem o grupo oposto conseguiram o que desejavam, abrindo espaço para um jogo de pressão sobre como o STF e as forças políticas envolvidas vão resolver a situação.
A analista também ressaltou o impacto mais amplo do cenário: "A gente tem o Supremo Tribunal Federal que está disputando uma eleição presidencial em vez de discutir o que é importante para o país do ponto de vista da Justiça."
Para Clarissa Oliveira, a questão central está no desfecho que ainda está por vir, e o tema deve continuar movimentando tanto o ambiente político quanto o institucional nos próximos meses.