Professores de BH fazem manifestação em frente ao TRT

Foto: PBH/Reprodução
Professores em greve se concentram no TRT em BH antes de audiência sobre impasse na campanha salarial com escolas particulares
O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas) confirmou que a categoria realizará uma manifestação em frente ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Belo Horizonte, nesta segunda-feira (21). O ato está programado para ocorrer antes da audiência marcada com os trabalhadores, que se encontram em greve desde a última quarta-feira (16). A paralisação tem como pano de fundo o impasse nas negociações da campanha salarial entre os professores e os proprietários de instituições de ensino particulares.
O principal ponto de discórdia é a proposta de divisão da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), documento que estabelece os direitos da categoria, como salários e demais benefícios, em duas partes: uma voltada para a educação básica e outra para o ensino superior. Em contrapartida, os docentes defendem a renovação da convenção vigente, sem alterações, além de um reajuste salarial de 3,77%, equivalente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Para a presidente do Sinpro Minas, Valéria Morato, o lado patronal demonstra resistência em negociar de forma equilibrada. "Eles querem impor essa condição, que é extremamente prejudicial à categoria. (...) Vale lembrar que, nas primeiras rodadas de negociação, os professores apresentaram uma pauta de reivindicações com mais de 10 pontos de valorização da carreira docente, além de ganho real, e, para que as discussões avançassem, passamos a defender apenas a renovação da convenção sem mudanças e o reajuste pelo índice da inflação", declarou.
Moreno ainda destacou que a greve representa uma forma de proteger conquistas históricas da categoria, como as férias coletivas, o adicional extraclasse e a isonomia salarial. "Estamos diante de uma tentativa de dividir uma categoria que historicamente construiu sua força por meio da unidade. E, como estamos sem convenção assinada, há escolas que já não estão aplicando nossos direitos, entre eles as bolsas de estudos, em total desrespeito a quem dedica uma vida à sala de aula", disse. A greve foi deliberada em assembleia realizada no dia 10 de setembro.
No dia 16, quando a paralisação teve início, os professores voltaram a se reunir para avaliar a continuidade do movimento e discutir a possibilidade de transformá-lo em uma greve por tempo indeterminado. Uma nova assembleia foi realizada na sexta-feira (18), reforçando a mobilização da categoria. O Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe MG) se pronunciou por meio de nota. "Como representante de instituições particulares de educação básica, técnica e superior, a entidade tem a responsabilidade de considerar as diferentes realidades de cada segmento. Por isso, atua com cautela na construção de acordos que impactam mais de 4.200 instituições de ensino, sempre buscando preservar sua sustentabilidade, os empregos e a qualidade da educação oferecida", afirmou o sindicato patronal.
A entidade acrescentou que a maioria das escolas particulares mineiras segue aberta e em funcionamento, com paralisações restritas a instituições pontuais. "A proposta do SinepeMG não prevê retirada de direitos dos professores, mas a organização da Convenção Coletiva de Trabalho em instrumentos específicos para a educação básica e o ensino superior, respeitando as particularidades de cada segmento", informou. A manifestação desta segunda-feira (21) marca mais um capítulo do impasse entre o Sinpro Minas e o setor patronal, com a audiência no TRT sendo aguardada como um possível passo para a resolução do conflito.