Professores e escolas não chegam a acordo e greve continua na Grande BH

Negociação entre Sinpro Minas e Sinepe-MG termina sem acordo e será levada a julgamento no TRT, mantendo a greve dos professores da Grande BH
Uma audiência entre o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas) e o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG), realizada na última segunda-feira (21), no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), terminou sem acordo.
O impasse mantém a greve dos professores da rede particular da Região Metropolitana de Belo Horizonte, iniciada na quarta-feira (16), por tempo indeterminado.
De acordo com o Sinpro Minas, o Sinepe-MG concordou com a assinatura de uma única Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), conforme defendido pela categoria. No entanto, o sindicato das escolas particulares condicionou o acordo à alteração de duas cláusulas: a que trata da isonomia salarial e a referente à indenização em casos de redução da carga horária.
Segundo o sindicato dos professores, essas propostas já foram rejeitadas anteriormente pela categoria, mas serão apresentadas novamente aos docentes na próxima assembleia.
Com o impasse nas negociações, o caso será levado a julgamento no Tribunal Regional do Trabalho, sem data definida para a decisão.
O que levou à greve
A paralisação dos professores de escolas particulares da Grande BH foi aprovada em assembleia com cerca de 300 docentes e ocorre no contexto das negociações da campanha salarial deste ano.
Um dos principais pontos de discordância é a renovação da CCT, que atualmente reúne professores da educação básica e do ensino superior em um único documento. Segundo o Sinpro Minas, o Sinepe-MG propôs dividir o documento em duas convenções separadas, uma para cada segmento.
O sindicato dos professores, por sua vez, defende a manutenção de uma única CCT, argumentando que a divisão poderia afetar direitos previstos na convenção atual, como bolsas de estudos, isonomia salarial, férias coletivas e adicional extraclasse.
O Sinepe-MG, por outro lado, argumenta que a divisão permitiria negociações adequadas às diferentes características e realidades econômicas dos segmentos, garantindo que nenhum benefício assegurado pela convenção atual seria retirado.
Além da manutenção da CCT única, os professores reivindicam reajuste salarial de 3,77%, correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), indicador que mede a inflação para famílias de menor renda.
O Sinpro Minas informou que a categoria havia apresentado inicialmente mais de dez reivindicações, mas reduziu a pauta para tentar avançar nas negociações, passando a defender apenas a renovação da convenção sem alterações e o reajuste pela inflação.
Com o caso agora nas mãos do TRT, professores e escolas particulares aguardam uma decisão judicial que resolva o impasse e coloque fim à greve na região metropolitana.