Sinpro Minas discute greve em BH nesta quinta

Foto: PBH/Reprodução
Professores de escolas particulares se reúnem para votar greve por tempo indeterminado em meio a impasse na Convenção Coletiva
Professores de escolas particulares de Belo Horizonte e região se reúnem nesta quinta-feira (10/9) para decidir sobre uma possível greve por tempo indeterminado. A assembleia acontece em um momento de impasse nas negociações entre a categoria e os proprietários de escolas sobre a campanha salarial, com as tratativas atualmente na Justiça do Trabalho sem perspectiva de resolução. O encontro está marcado para as 18h30, no auditório do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas), no bairro Floresta, na Região Leste da capital mineira. No centro do conflito está a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho. Os professores defendem a manutenção do documento atual, sem alterações, que garante salários e demais benefícios à categoria.
A reivindicação inclui ainda reajuste salarial de 3,77%, equivalente à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Do outro lado, os representantes das escolas condicionam qualquer acordo à divisão da Convenção Coletiva em dois documentos distintos: um voltado aos professores da educação básica e outro aos docentes do ensino superior. Atualmente, o documento é único e reúne os direitos dos profissionais de todas as etapas de ensino. A proposta de divisão já foi rejeitada pelos professores em assembleias anteriores.
Para o Sinpro Minas, a mudança enfraqueceria a capacidade de negociação coletiva e poderia colocar em risco direitos já conquistados, como a isonomia salarial e o adicional extraclasse. "Estamos diante de uma tentativa de dividir uma categoria que historicamente construiu sua força por meio da unidade. Ressaltamos também que o indicativo de greve é para defender nossas conquistas. Como estamos sem Convenção assinada, há escolas que já não estão aplicando nossos direitos, entre eles as bolsas de estudos, em total desrespeito a quem dedica uma vida à sala de aula", afirma Valéria Morato, presidente do Sinpro Minas. Segundo ela, a assembleia desta quinta definirá os próximos passos da categoria. "Iremos discutir a paralisação para mostrar ao patronal que exigimos respeito e merecemos valorização. E essa é uma discussão que envolve toda a sociedade, porque não existe escola de qualidade sem profissionais valorizados, respeitados e com condições dignas de trabalho", acrescenta. A situação reflete um impasse que vai além das questões salariais, envolvendo a estrutura de representação coletiva dos professores e os direitos já consolidados pela categoria ao longo dos anos.