Selic deve cair a 13,75% até fim de 2026, prevê boletim do BC

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 5% em 2026, ainda acima do teto da meta do Banco Central, enquanto Selic segue em trajetória de queda
O mercado financeiro reduziu sua previsão para a inflação oficial em 2026, com a estimativa recuando de 5,03% para 5% ao ano, conforme divulgado pelo boletim Focus do Banco Central. O número ainda supera o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual — ou seja, o limite superior é de 4,5%. Em julho, a queda nos preços dos alimentos contribuiu para que a inflação oficial desacelerasse pelo quarto mês consecutivo, encerrando o período em 0,07%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o IPCA acumulou 4,44% em 12 meses, retornando ao intervalo da meta do governo. Os dados de agosto serão divulgados pelo IBGE na próxima sexta-feira (11). Para os anos seguintes, as projeções do mercado apontam para uma trajetória de queda gradual da inflação. A estimativa para 2027 subiu levemente, de 4,28% para 4,29%, enquanto para 2028 e 2029 as projeções são de 3,8% e 3,5%, respectivamente.
O principal instrumento utilizado pelo Banco Central para alcançar a meta de inflação é a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 14% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Na última reunião, realizada em agosto, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, pela quarta vez consecutiva. De junho de 2025 a março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. O Copom retomou os cortes na reunião de março, em um cenário de recuo da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que pressionou os preços de combustíveis e alimentos, tem dificultado a continuidade da queda da taxa. O próximo encontro do Copom para definir a Selic está agendado para os dias 15 e 16 de setembro.
Nesta edição do Focus, os analistas de mercado estimam que a Selic chegue a 13,75% ao ano até o fim de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é que a taxa seja reduzida para 12% ao ano e 10,5% ao ano, respectivamente. Em 2029, a Selic deve alcançar 10% ao ano. Quando o Copom eleva a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, já que juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, gerando reflexos nos preços. Por outro lado, quando a Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, incentivando a produção e o consumo, mas diminuindo o controle sobre a inflação. Os bancos também levam em conta outros fatores ao definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
No boletim desta semana, as instituições financeiras revisaram levemente para cima a estimativa de crescimento da economia brasileira em 2026, de 1,92% para 1,93%. Para 2027, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) permanece em 1,5%, enquanto para 2028 e 2029 o mercado estima expansões de 1,96% e 2%, respectivamente. No segundo trimestre de 2026, a economia cresceu 0,5% em relação ao primeiro trimestre, com expansão acumulada de 1,9% em 12 meses, segundo o IBGE. Em 2025, o Brasil registrou crescimento de 2,3%, com avanço em todos os setores e destaque para a agropecuária — o quinto ano consecutivo de expansão. Quanto ao câmbio, o Focus desta semana projeta o dólar a R$ 5,20 ao final de 2026 e a R$ 5,30 ao fim de 2027.