Menina de 10 anos denuncia abusos do padrasto em carta à mãe: "Estou cansada"

Bilhete escrito pela menor de 10 anos contando os casos de abuso sofridos. — Foto: Redes sociais
Criança de 10 anos escreveu carta à mãe revelando abusos desde os 8 anos em Santa Luzia, na Grande BH
Uma menina de 10 anos denunciou os abusos sexuais cometidos pelo padrasto por meio de uma carta entregue à mãe. O caso ocorreu no bairro Palmital, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e levou à prisão em flagrante do suspeito na última terça-feira (25).
Na carta, a criança revelou que os abusos começavam quando ela tinha oito anos e explicou por que demorou tanto para contar à mãe. O texto, carregado de emoção, dizia: "Mãe, eu preciso falar uma coisa: o ***** me abusa desde meus 8 anos. Eu quis falar isso porque eu "tô" cansada disso. Eu não te falei antes porque eu achava que vocês eram um casal feliz, mas eu "tô" vendo que não estão mais felizes. Ele "tá" te deixando triste. Por isso eu quis te falar isso em formato de carta. Leia, por favor. Mãe, te amo".
Após receber a carta, na noite do dia 24 de agosto, a mãe tomou a iniciativa de reunir provas antes de ir à polícia. Ela instalou uma câmera na sala da casa e conseguiu registrar imagens do homem pedindo desculpas à menina pelos anos de abuso.
Com esse material em mãos, o caso foi levado às autoridades. O suspeito foi preso em flagrante, mas liberado horas depois.
O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher de Santa Luzia. Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que as investigações estão em andamento.
"A mãe da vítima foi ouvida e adotadas as providências de polícia judiciária para esclarecimento dos fatos, além de formalizado o pedido de medida protetiva para a criança.
As diligências em curso estão avançadas e em andamento para completa elucidação dos fatos", afirmou a instituição.
Em entrevista à Itatiaia nesta segunda-feira (31), a mãe da menina contou que vivia com o suspeito há mais de cinco anos e que ele "nunca deu um sinal de nada".
Ela relatou que, para estar mais presente em casa, chegou a abandonar o trabalho externo e montou um salão de cabeleireiro na própria residência.
"Se passou alguma coisa percebida, eu me cobro todos os dias por isso, porque eu não observei, mas eu sou muito atenta. Eu deixei de trabalhar fora e voltei a trabalhar em casa. Eu sou cabeleireira e deixei de trabalhar fora para montar o salão em casa para ficar mais por conta", contou.
A mãe também expressou sua angústia por não ter percebido os sinais.
"Eu não sei qual foi o momento que passou batido das minhas vistas que eu não vi. A hora em que ele estava fazendo isso com ela e eu não observei, porque ela não me deu um sinal, ela não falou nada, uma nota baixa, não deixou de comer e não ficou triste. Pelo contrário, ela conseguiu guardar isso por muito tempo sem deixar transparecer nada", acrescentou.
Denúncias de casos semelhantes podem ser registradas presencialmente em uma unidade policial ou pelos canais Disque 100 e 181. A PCMG garante anonimato e sigilo aos denunciantes.
Em situações de emergência, os números disponíveis são o 190 (Polícia Militar), 193 (Corpo de Bombeiros) e 197 (Polícia Civil).