Renault e Geely se unem para produção de carros elétricos no Brasil

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Imprensa francesa destaca parceria entre Renault e Geely para produzir carros elétricos no Brasil e enfrentar a concorrência chinesa
Dois dos principais jornais franceses, o "Le Figaro" e o "Les Echos", repercutiram nesta sexta-feira (18) o anúncio da parceria entre a montadora Renault e a chinesa Geely para fabricar um novo modelo de carro elétrico no Brasil. A iniciativa é vista pela imprensa francesa como uma resposta estratégica da fabricante francesa à crescente presença de montadoras chinesas no mercado brasileiro. Por trás do acordo, está a necessidade da Renault de resistir ao que o "Les Echos" chama de "tsunami" de montadoras da China que invadiu o Brasil nos últimos anos.
O "Le Figaro" lembra que a Renault, cuja fábrica foi instalada em Curitiba (PR) há quase 30 anos, perdeu espaço significativo na preferência do consumidor brasileiro na última década, caindo do quarto lugar em 2019 para o sétimo lugar atualmente. Em entrevista ao jornal, o CEO da Renault, Fabrice Cambolive, afirma que "o mercado automobilístico mudou mais nos últimos oito meses que nos últimos 15 anos". O dado que sustenta essa percepção é expressivo: entre janeiro e maio de 2026, o Brasil importou US$ 5,2 bilhões em veículos chineses, um salto de 147% em relação ao mesmo período do ano anterior, tornando-se o maior comprador de carros da China, à frente da Rússia. Segundo o "Le Figaro", os consumidores brasileiros "apreciam os preços imbatíveis dos veículos chineses elétricos e híbridos", especialmente os da BYD, mas também os da Chery e da Great Wall Motor, ainda pouco conhecida na Europa.
A matéria destaca ainda que esses fabricantes souberam aproveitar a política brasileira de incentivo aos veículos elétricos, que reduziu praticamente pela metade os valores dos veículos importados da China. O "Les Echos" acrescenta que, com a parceria com a Geely, a Renault vai contornar as tarifas de importação de 35%, com a ambição de atender, a partir do Brasil, todo o mercado da América Latina. Segundo o diário, os primeiros exemplares do EX5, um sedã híbrido, já deixaram as linhas de montagem nesta semana, e o compacto elétrico EX2, líder de vendas na China, deve começar a ser produzido em dezembro. O investimento total é da ordem de € 319 milhões de euros. Para o "Le Figaro", o montante é prova de uma verdadeira "lua de mel" entre a Renault e a Geely, consolidando uma aliança que pode redefinir o posicionamento da montadora francesa no mercado latino-americano.