Jogador do Real é criticado por Mourinho após condenação

Zagueiro do Real Madrid enfrenta críticas do técnico e procedimento interno após condenação por dirigir embriagado
A sequência de problemas extracampo envolvendo o zagueiro Raúl Asencio ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (3), na Espanha. Um dia após a divulgação de sua condenação por dirigir sob efeito de álcool, o defensor do Real Madrid foi publicamente criticado pelo técnico José Mourinho, que revelou a abertura de um procedimento interno no clube e declarou não estar satisfeito com o comportamento do jogador fora dos gramados. No mesmo dia, o processo judicial relacionado ao compartilhamento de conteúdo íntimo teve um desfecho favorável ao defensor.
Em coletiva de imprensa antes do duelo contra o Betis, Mourinho deixou claro que considera preocupante o acúmulo de situações extracampo envolvendo Raúl Asencio, sem transformar o episódio em uma questão exclusivamente esportiva. Para o treinador, vestir a camisa do Real Madrid exige responsabilidade em tempo integral. "Todos cometemos erros, mas erros acumulados... isso é outra história. Um jogador do Real Madrid é jogador do Real Madrid 24 horas por dia. O que você faz fora de campo pode prejudicar sua reputação e a do clube. Não estou feliz", afirmou o português.
Ao mesmo tempo, Mourinho fez questão de separar a conduta de Raúl Asencio fora do clube de sua postura profissional no centro de treinamento de Valdebebas. Segundo o treinador, o defensor mantém dedicação exemplar durante o período de recuperação da lesão que o afasta temporariamente dos gramados. "Dentro de Valdebebas, ele é um verdadeiro profissional. Quando estava em forma, ninguém treinava mais duro ou melhor do que ele. Agora que está lesionado, é o primeiro a chegar e o último a sair. Dedicação extrema", disse Mourinho.
As declarações do técnico vieram na esteira da divulgação da condenação de Raúl Asencio por dirigir sob efeito de álcool. O episódio ocorreu em 16 de agosto, quando o jogador foi submetido a dois testes de bafômetro durante uma abordagem policial. Os exames registraram 0,90 mg/l e 0,88 mg/l de álcool no ar expirado, valores próximos a quatro vezes o limite geral permitido na Espanha. O defensor reconheceu os fatos em um julgamento rápido realizado três dias depois do ocorrido. A sentença determinou o pagamento de uma multa de 14,4 mil euros (cerca de R$ 82 mil) e a suspensão da carteira de habilitação por oito meses.
Não houve registro de acidente nem de direção perigosa durante a ocorrência. Mourinho confirmou que o Real Madrid decidiu analisar internamente o caso, embora tenha indicado que a situação não deve alterar imediatamente o vínculo esportivo do jogador com o elenco. Raúl Asencio, que permanece lesionado, seguirá integrado ao grupo enquanto o procedimento estiver em andamento. "O clube abriu uma investigação e, enquanto isso, ele é jogador do Real Madrid", declarou o treinador. A fala de Mourinho chama atenção pelo momento vivido por Raúl Asencio. Aos 23 anos, o zagueiro formado nas categorias de base do clube conquistou espaço no elenco principal nas últimas temporadas e renovou recentemente seu contrato até 2031. Fora de campo, porém, o defensor passou a enfrentar uma sucessão de episódios que colocaram seu nome no centro do noticiário esportivo espanhol.
No mesmo dia em que Mourinho comentou a condenação por dirigir embriagado, o processo envolvendo Raúl Asencio e outros três ex-jogadores das categorias de base do Real Madrid teve uma atualização relevante na Justiça espanhola. As duas jovens que aparecem em vídeos de conteúdo sexual explícito confirmaram perante o juiz que perdoaram os quatro envolvidos. A decisão permitiu que o Ministério Público da Espanha retirasse a acusação relacionada à divulgação não autorizada de imagens íntimas contra o defensor. Raúl Asencio não era acusado de participar da gravação dos vídeos.
A acusação sustentava que um dos registros chegou ao seu celular e que ele teria compartilhado o material posteriormente, mesmo ciente de que as imagens haviam sido produzidas sem autorização e que as jovens pediam sua exclusão. Com o perdão formalizado pelas vítimas, essa acusação deixou de prosseguir contra o jogador, que acabou absolvido nesse ponto do processo. A situação dos outros três réus, no entanto, teve um desfecho diferente. Ferrán Ruiz, Juan Rodríguez e Andrés García aceitaram uma pena de um ano de prisão por posse de pornografia infantil.
Um dos vídeos envolvidos no caso mostrava uma das jovens com 16 anos na época dos fatos, em 2023. Diferentemente da acusação enfrentada por Raúl Asencio, o perdão das vítimas não extingue a responsabilidade criminal relacionada à pornografia infantil na legislação espanhola. Antes do acordo, o Ministério Público pedia penas de quatro anos e sete meses de prisão para os três ex-jogadores e dois anos e meio para o defensor do Real Madrid. Os acontecimentos tiveram origem no verão de 2023, em um clube de praia em Amadores, no sul da Espanha. Segundo o processo, imagens e vídeos foram registrados durante um encontro sexual consensual entre os então jogadores das categorias de base e as duas jovens, mas a gravação e a posterior divulgação do material teriam ocorrido sem o consentimento das mulheres. Com o encerramento do processo judicial sobre os vídeos íntimos e a abertura de um procedimento interno no Real Madrid relacionado à condenação por embriaguez ao volante, Raúl Asencio segue como alvo de atenção tanto dentro quanto fora dos gramados, em um momento delicado de sua carreira.