Paulo Gonet deve ir à sessão sobre Moraes no STF na terça

Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), sabatina Flávio Dino para exercer o cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e Paulo Gonet para exercer o cargo de Procurador-Geral da República (PGR).
Procurador-geral da República é citado em conversas com Vorcaro e deve participar da sessão plenária do STF na terça-feira (15)
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deve participar da sessão plenária de julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) marcada para a próxima terça-feira (15), de acordo com apuração do UOL. Na ocasião, os ministros vão analisar o relatório da Polícia Federal que revelou conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Paulo Gonet também é citado nas conversas recuperadas pela PF. Segundo o relatório, o advogado Ciro Soares atuava como interlocutor entre Gonet e Vorcaro. Em uma das conversas de 2024, Soares afirma a Vorcaro que "Gonet é firme".
Em março de 2025, o mesmo advogado enviou uma foto ao lado de Paulo Gonet, avisando que o procurador gostaria de falar com Vorcaro, o que teria sido seguido por uma chamada telefônica de quatro minutos. Além de Paulo Gonet, outros cinco ministros do STF aparecem nas mensagens recuperadas. O principal deles é Moraes, sobre quem recai o caso que será analisado pelos colegas do Supremo. Também são mencionados Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Nunes Marques e André Mendonça. Por regra, o regimento interno do STF prevê situações em que um ministro pode se declarar impedido de analisar um processo — quando se identifica uma circunstância prevista legalmente que comprometa sua atuação. A declaração, contudo, não é obrigatória.
Em uma petição encaminhada ao presidente do STF nesta segunda-feira, em que se pediu a queda completa do sigilo do caso Master, Paulo Gonet não assinou o documento. A peça foi assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, que também atua no caso. O ministro Fachin atendeu ao pedido. No processo, relatado por Mendonça, os agentes da PF apontam conversas entre Vorcaro e Moraes. Segundo o material recuperado, Vorcaro recebeu informações sobre o cerco investigativo e chegou a considerar deixar o país, após conselho de Moraes.
A investigação também revelou que Moraes editou a versão final do contrato de R$ 130 milhões de Vorcaro com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O relatório da PF será analisado pelo plenário do STF em sessão extraordinária marcada para a próxima terça-feira (15), às 10h. O rito sobre o formato da sessão ainda está indefinido. Por ser inédita, não há um modelo padrão para julgar um ministro do Supremo. Fachin já manifestou que deseja uma sessão pública e transparente. Nesta segunda-feira, Moraes enviou ofício a Fachin solicitando julgamento conjunto com acusações contra Mendonça.
Em uma petição, Moraes apontou parcialidade de Mendonça na condução do processo e, com base em outro relatório da PF sem valor probatório, indicou indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e possível favorecimento a grupos políticos por parte de Mendonça. Na véspera da sessão, Fachin se reuniu individualmente e em conjunto com ministros, além de receber Paulo Gonet na presidência do STF à noite, para tratar sobre os detalhes de como será conduzida a sessão plenária.