Netanyahu provoca delegações que deixam a ONU

Netanyahu. Fonte: World Economic Forum via Flickr.
Brasil e outros países saíram do plenário da ONU ao início do discurso de Netanyahu, em protesto à guerra em Gaza
A delegação brasileira deixou o plenário da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, no momento em que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu iniciou seu discurso nesta quinta-feira (24). O ato foi um protesto às posições de Netanyahu, especialmente em relação à guerra na Faixa de Gaza, onde o premier tem criticado o reconhecimento da Palestina e negado a ocorrência de genocídio. Ao notar a saída de diversas delegações — não apenas a do Brasil —, Netanyahu reagiu do púlpito: "Se há mais covardes morais que ainda não saíram desse salão, por favor, façam isso agora". A retirada foi planejada com antecedência. Segundo fontes, nos discursos anteriores ao de Netanyahu, apenas um diplomata brasileiro estava escalado para acompanhar a sessão, mas outros quatro colegas se juntaram a ele a partir do pronunciamento de José Manuel Restrepo, vice-presidente da Colômbia, que antecedeu o do premier israelense.
O objetivo era reunir um número maior de pessoas para o momento da saída coletiva. A CNN Brasil apurou que os integrantes da delegação brasileira e de outros países se organizaram previamente para a retirada do plenário, prática que se repete pelo menos desde 2024, ano seguinte ao início do conflito em Gaza. A delegação palestina é um exemplo dessa articulação: tinha apenas duas pessoas presentes durante o discurso da Colômbia e, antes de Israel tomar a palavra, o número subiu para seis representantes. Para se contrapor ao protesto, a delegação israelense levou representantes para aplaudir durante o discurso de Netanyahu. Apesar de cada delegação ter direito a apenas seis assentos, os israelenses solicitaram passes para os setores de observação.
A CNN Brasil chegou ao plenário horas antes do discurso e observou que outras delegações fizeram o mesmo movimento. Cerca de 30 minutos antes do pronunciamento de Netanyahu, o volume de delegados no salão aumentou consideravelmente. Fontes afirmaram que a delegação palestina fez um esforço para que representantes das missões se retirassem. Nos corredores da ONU, o episódio é descrito como uma das maiores debandadas já registradas durante um discurso na Assembleia Geral — avaliação compartilhada por uma jornalista que cobre a organização há décadas. O governo brasileiro mantém uma postura de crítica firme às ações militares de Israel em Gaza, classificando-as como genocídio, e defende a solução de dois Estados para o conflito. Durante seu próprio discurso na Assembleia, na terça-feira (22), o presidente Lula voltou a acusar Israel de genocídio. "Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza", afirmou. Lula também abordou "os assentamentos ilegais na Cisjordânia, que tornam cada vez menos viável a solução de dois Estados", acrescentando que "ameaçar civilizações de extinção não trará estabilidade para o Oriente Médio". Sobre o conflito envolvendo o Irã, o Brasil condena o uso da força por ambos os lados e defende a contenção máxima e o diálogo diplomático. A saída coordenada das delegações durante o discurso de Netanyahu reforça o isolamento diplomático de Israel em parte do cenário multilateral, em meio à continuidade das operações militares em Gaza.