Rússia coloca subsidiária da Nestlé sob controle estatal temporário

Decreto presidencial russo transfere controle da subsidiária da Nestlé a administradores externos, elevando incertezas sobre ativos no país
A multinacional suíça de alimentos Nestlé informou que avalia medidas para sua operação na Rússia após o Kremlin decretar a transferência do controle da subsidiária local para administradores externos. O decreto presidencial também colocou sob gestão estatal temporária as operações das varejistas francesas Auchan e Leroy Merlin no país, ampliando o movimento de retomada coercitiva de ativos de corporações de nações classificadas por Moscou como "não amigáveis".
Em comunicado oficial, a Nestlé declarou que "adotará as medidas necessárias para resguardar seus direitos e garantir a continuidade das operações no interesse de colaboradores e parceiros comerciais". A empresa mantinha seis fábricas em território russo em 2025, o que torna o cenário ainda mais complexo diante da intervenção estatal.
A intervenção tem como base uma legislação aprovada em 2023, já utilizada anteriormente pelo governo russo para assumir o controle de outras grandes corporações estrangeiras, como a Danone, a cervejaria Carlsberg e as geradoras de energia Uniper e Fortum. O padrão se repete à medida que Moscou intensifica o controle sobre ativos de empresas originárias de países considerados hostis ao regime.
Analistas do JPMorgan, em relatório enviado a clientes, avaliaram que a situação da Nestlé se assemelha ao caso enfrentado pela Danone, elevando as incertezas sobre o valor que poderia ser recuperado em uma eventual venda dos ativos russos da companhia. A comparação reforça as dúvidas sobre as perspectivas financeiras da empresa no país diante do avanço do controle estatal.
O caso da Nestlé é mais um capítulo de uma série de intervenções do Kremlin sobre subsidiárias de multinacionais ocidentais desde o acirramento das tensões geopolíticas com países ocidentais. A tendência aponta para um cenário de crescente insegurança jurídica para empresas estrangeiras que ainda mantêm operações na Rússia.