Turistas desaparecidos no Nepal voltam a dar sinal de vida após enchentes

Ponte cede e é arrastada pelas enchentes na fronteira entre Nepal e Tibete — Foto: Reprodução/Redes sociais
Turistas desaparecidos no Nepal voltam a dar sinal de vida enquanto buscas continuam após enchentes que já mataram 1.118 pessoas
As enchentes que devastaram o Nepal há uma semana já deixaram pelo menos 1.118 mortos e mais de 3.900 desaparecidos. Em meio às buscas que continuam intensas, alguns turistas estrangeiros dados como desaparecidos conseguiram entrar em contato com as autoridades, trazendo um alento em meio à tragédia, conforme informaram funcionários do governo nesta quarta-feira (2).
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Nepal, 324 estrangeiros foram resgatados até o momento. Cerca de 590 pessoas de 39 países ainda constavam como desaparecidas após as enchentes que começaram em 26 de agosto.
Turistas desaparecidos voltam a dar sinal de vida
O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, confirmou nesta quarta-feira que o número de australianos desaparecidos caiu de 43 para 38, após cinco pessoas serem localizadas em segurança durante a noite.
Albanese fez o anúncio em Palau, onde participava de uma cúpula regional.
"Em meio a toda essa tragédia, estamos recebendo algumas notícias positivas. Hoje, outras cinco pessoas da Austrália foram confirmadas como estando em segurança", disse Albanese a jornalistas.
"Esperamos, é claro, receber mais notícias positivas, e estamos fazendo tudo o que podemos para trabalhar com as autoridades", acrescentou.
Sunil Sharma, porta-voz do Conselho de Turismo do Nepal, informou que pelo menos outros cinco turistas estrangeiros, anteriormente dados como desaparecidos, entraram em contato com as autoridades por telefone ou e-mail nos últimos dias.
China constrói estrada para facilitar resgates
No lado chinês da fronteira, equipes de resgate concluíram uma estrada improvisada para acessar a região atingida pelas enchentes, em Gyirong, conforme informou a emissora estatal CCTV nesta quarta-feira.
Os trabalhadores também removeram obstáculos para permitir a entrada de máquinas pesadas utilizadas nas buscas.
O complexo do posto de fronteira foi destruído pelas enchentes, enquanto a estrada que levava ao local ficou coberta por água, lama e pedras.
A China informou separadamente que 16 pessoas morreram e 546 estão desaparecidas até domingo (30).
Como a tragédia começou
A catástrofe teve início em 26 de agosto, na região do Himalaia, quando o desprendimento de uma geleira lançou pedras, gelo e água do derretimento nos vales abaixo, provocando fortes enchentes.
A água atingiu rios que atravessam o Tibete e o Nepal, fazendo com que o nível subisse rapidamente.
As enchentes destruíram casas, prédios, estradas e pontes, arrastando grandes quantidades de lama e pedras.
Sobreviventes buscam abrigo em Katmandu
Parte dos sobreviventes deixou as áreas devastadas e se deslocou para a capital do Nepal, Katmandu, em busca de abrigo.
Cerca de 400 pessoas, a maioria moradores da cidade de Timure, a aproximadamente 110 quilômetros a oeste de Katmandu, estão hospedadas no mosteiro Yellow Gumba.
Elas perderam familiares e casas e dependem umas das outras para conseguir alimentos e outros itens básicos.
O abrigo é organizado por moradores locais e parentes das vítimas, com apoio de doações de pessoas e organizações de caridade.
Entre os sobreviventes está Riya Tamang, de 21 anos, que conseguiu fugir com o filho de 10 meses pouco antes de a água chegar à região.
"Fui a última a sair de casa. Foi muito difícil escapar", contou.
Tamang perdeu os avós na tragédia. O marido dela, que trabalha como cozinheiro na cidade de Gyirong, no lado chinês da fronteira, também sobreviveu.
Agora, o casal mantém contato por chamadas de vídeo.
As autoridades do Nepal seguem coordenando os esforços de busca e resgate, enquanto policiais preparam os corpos das vítimas para enterros coletivos em Katmandu.