Nepal prevê US$ 4,78 bi para reconstrução

Inundação repentina e mar de lama na região de fronteira entre o Nepal e o Tibete (China) - Reprodução/X
Após avalanche que matou mais de 1.398 pessoas, Nepal estima custo bilionário para reconstrução e decreta luto nacional
O Ministério das Relações Exteriores do Nepal anunciou nesta sexta-feira que o custo da reconstrução após as enchentes mortais provocadas pelo desabamento de uma geleira no mês passado chegará a US$ 4,78 bilhões. O porta-voz do ministério, Lok Bahadur Chhetri, confirmou o valor a jornalistas e detalhou a dimensão dos danos causados pela catástrofe, que devastou estradas, pontes, residências e infraestruturas na fronteira entre o Nepal e a China. "O custo total estimado para a reconstrução é de aproximadamente US$ 4,78 bilhões", declarou Chhetri. A tragédia, desencadeada pelo colapso parcial de uma geleira e de parte de uma montanha em 26 de agosto, deixou pelo menos 1.398 mortos e mais de 5.500 desaparecidos, segundo balanços provisórios divulgados nesta segunda-feira.
O Nepal decretou nesta segunda-feira (7) um dia de luto nacional em memória das vítimas da avalanche. Por ordem do governo, as bandeiras foram hasteadas a meio-mastro em prédios públicos "em homenagem a todos aqueles que perderam a vida na inundação devastadora e sem precedentes". Em Katmandu, capital do país, dezenas de familiares dos trabalhadores desaparecidos se reuniram em uma praça para expressar sua frustração com uma faixa que perguntava: "Quanto tempo vamos ficar esperando em casa e chorando?".
Entre os desaparecidos estão muitos turistas e peregrinos estrangeiros, além de centenas de trabalhadores que estavam nas barragens destruídas pela avalanche. Três pessoas — dois trabalhadores nepaleses e um chinês — foram resgatadas na sexta-feira (4) e no sábado (5). Durante o fim de semana, as equipes de emergência também conseguiram retirar com vida uma idosa que estava presa entre os escombros de sua casa. Pelo 13º dia consecutivo, as equipes de resgate continuam as buscas por sobreviventes nos túneis, "com a mesma intensidade do primeiro dia", conforme afirmou o Exército. "Concentramos nossos esforços em três frentes: em terra, pelo ar e nos túneis", explicou à AFP o porta-voz militar Raja Ram Basnet.
Apesar dos esforços, a impaciência das famílias dos desaparecidos cresce a cada dia. Reena Amatya Shrestha, que está sem notícias do irmão, o geólogo Sumesh Amatya — que trabalhava nas obras da represa Trishuli-3, na fronteira com a China —, cobrou resultados das autoridades. "Dizem que estão procurando, mas com que resultados? Queremos resultados", declarou. Mesmo assim, ela afirmou: "Ainda temos muita esperança". As operações de resgate enfrentam dificuldades sem precedentes, segundo Arnold Dix, especialista australiano que participa das buscas. "Não se trata de uma única operação de resgate, mas potencialmente de várias que transcorrem ao mesmo tempo, em diferentes locais, cada uma com seus próprios perigos", explicou. A magnitude da catástrofe e a complexidade do terreno seguem sendo os principais obstáculos para as equipes que trabalham na região.